Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A equipe italiana permaneceu em posição de pódio no team event da patinação artística nos Jogos de Milano-Cortina. A dupla formada por Sara Conti e Niccolò Macii apresentou-se ao som de Caruso e terminou em terceiro lugar no programa de pares, atrás das duplas japonesas Miura–Kihara e das representantes da Geórgia, Metelkina–Berulava.
O resultado dos pares confirmou a Itália em terceiro na classificação por equipes, com 45 pontos. À frente, os Estados Unidos somam 51 pontos e o Japão aparece com 49; logo atrás, Geórgia e Canadá dividem a quarta posição com 41 pontos cada. Ainda resta uma parte decisiva da prova coletiva: os programas individuais feminino e masculino, nos quais a delegação italiana aposta em Lara Naki Gutmann e Daniel Grassl, respectivamente.
Mais do que a colocação momentânea, a exibição de Conti e Macii tem significado simbólico. A escolha de uma canção tão ligada à memória cultural italiana — Caruso — não é mero detalhe: transforma a rotina técnica em gesto identitário, um lembrete da relação entre esporte e narrativa nacional. Em pistas curtas, onde fração de pontos definem rumos, essa dimensão emocional pode atuar tanto como pressão quanto como impulso motivacional.
Do ponto de vista esportivo, a Itália precisa de duas apresentações consistentes nos singulares para consolidar a vaga no pódio coletivo. No team event, cada ponto importa não só como avanço imediato, mas como reforço da visibilidade e do investimento no programa de patinação do país — um setor historicamente ralado entre tradições regionais e o esforço de se consolidar em campeonatos globais.
Para Gutmann, a entrada na pista carrega a responsabilidade de manter ou até elevar a pontuação italiana diante de seleções com técnico e estruturalmente mais consolidados no gelo. Para Grassl, conhecido por sua capacidade de produzir saltos e elementos de alto valor, o desafio será transformar potencial técnico em segurança competitiva num momento em que cada erro pode custar posições decisivas.
Do ponto de vista coletivo, o cenário é tenso: os EUA lideram com folga relativa, mas o Japão está a apenas dois pontos, deixando a disputa aberta. A Itália, instalada em terceiro, terá de equilibrar ambição e pragmatismo — buscar a medalha exige performances limpas e planejamento tático na ordem das apresentações.
Na leitura mais ampla, essa manhã de competição em Milano-Cortina é um espelho das transformações do esporte olímpico europeu: cidades sedes que rearticulam memória cultural e espetáculo, atletas que carregam papéis de identidade pública e federações que medem resultados em pontos e em projeção internacional. A conclusão do team event ainda será escrita nas rotinas de Gutmann e Grassl. A Itália chega ao fechamento da disputa com otimismo cauteloso e a responsabilidade de transformar talento em história coletiva.






















