Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
Em mais uma noite que revelou tanto a imprevisibilidade quanto a resiliência do esporte olímpico, a dupla italiana do Italcurling— Stefania Constantini e Amos Mosaner — arrancou uma vitória suada sobre a Noruega por 6-5, na quinta partida do grupo do Milano Cortina 2026 do curling duplo misto. O triunfo, consumado em uma reviravolta nas últimas jogadas, relança as ambições italianas na competição e merece ser lido para além do placar.
A partida teve roteiro digno das maiores narrativas do gelo: a Italcurling chegou a estar em desvantagem, perdendo por 5-3 antes da sétima parcial. Foi somente na sétima end que a dupla italiana conseguiu o empate, imprimindo nova tensão ao confronto. No oitavo e decisivo end, a Noruega dispunha do hammer, uma vantagem tática significativa, além do recurso do power play que poderia ter encaminhado a vitória escandinava. Ainda assim, Constantini e Mosaner forçaram o erro adversário e conseguiram um roubo de ponto — o gesto técnico que converte vantagem em virada — assegurando o 6-5 final.
Mais do que o resultado, a vitória confirma aspectos relevantes: primeiro, a capacidade de gestão da pressão em momentos cruciais; segundo, a qualidade de leitura estratégica de uma dupla que já demonstrou repertório tático internacional. Em competições por eliminação ou fase de grupos, partidas como esta não são apenas soma de pontos, mas sinalizações sobre temperamento e preparação.
No mesmo intervalo de tempo, a Estônia surpreendeu ao derrotar o Canadá. O tropeço canadense permitiu à Itália saltar posições na tabela, ainda que os norte-americanos mantenham certas vantagens em critérios de confronto direto. A combinação de resultados — incluindo a derrota italiana recente contra a Suécia e as inesperadas derrotas dos Estados Unidos frente ao Reino Unido e à Coreia do Sul — deixa o panorama classificatório mais fluido.
Na prática, os azzurri seguem em segundo lugar na chave, e amanhã enfrentarão a República Tcheca e o Reino Unido, as únicas equipes ainda invictas. Esses confrontos terão dupla leitura: serão testes técnicos e também indicadores sobre resistência física e mental em um torneio congesto. Para uma nação que transforma vitórias esportivas em memória coletiva, cada partida funciona como um pequeno espelho das capacidades institucionais de formar, apoiar e projetar atletas.
Em resumo, o 6-5 sobre a Noruega é mais que um resultado; é um lembrete de que o Italcurling compõe narrativas que misturam tradição e renovação, onde decisões sutis no gelo reverberam em expectativas maiores para a campanha italiana em Milano Cortina.






















