Milano Cortina — A equipe feminina de Italcurling sofreu nesta sexta-feira, 14 de fevereiro de 2026, a terceira derrota na competição ao perder por 8-7 para a seleção da China no Palaghiaccio di Cortina d’Ampezzo. O confronto foi decidido apenas no décimo e último end, quando as asiáticas conseguiram o ponto que garantiu a virada.
Num jogo de altos e baixos, as italianas mantiveram-se competitivas até o final, mas pagaram caro por erros pontuais e por uma leitura do gelo que, por vezes, favoreceu a experiência chinesa. O placar apertado — 8 a 7 — traduz uma partida equilibrada, na qual a vantagem oscilou de lado a lado e só se consolidou nos lances finais.
Do ponto de vista técnico, a partida evidenciou dois vetores que vêm marcando a trajetória do curling na Itália: a crescente sofisticação tática das jogadoras nacionais e, ao mesmo tempo, a fragilidade em momentos cruciais, quando a gestão da pedra e a estratégia defensiva exigem máxima precisão. A seleção chinesa, com histórico de investimento pesado em centros de formação e análise de gelo, mostrou frieza para explorar essas brechas.
Para a torcida e para a comissão técnica, a derrota representa mais que um resultado isolado: complica a campanha das italianas na fase de grupos e aumenta a pressão por resultados imediatos nas partidas seguintes. No contexto de um evento como Milano Cortina, que ressoa além do esporte pela carga simbólica de um país-sede que tenta consolidar sua imagem nos grandes palcos olímpicos e esportivos, cada partida funciona também como vitrine institucional.
Historicamente, o curling italiano busca firmar-se entre os países de ponta por meio de ciclos de formação e pela exposição em torneios de alto nível. Jogos como o de hoje, decididos nos instantes finais, servem de diagnóstico: há talento, há competitividade, mas falta consistência para converter jogos parelhos em vitórias. A observação vale tanto para jogadoras quanto para estruturas de apoio — treinadores, preparação física e tecnologia de leitura do gelo.
O décimo end foi o retrato dessa tênue fronteira. A equipe chinesa aproveitou uma oportunidade estratégica e capitalizou num erro italiano para pontuar, selando o 8-7 final. Não houve catástrofe, mas tampouco conforto: a margem entre recuperação e eliminação é curta numa fase inicial de torneio e cada derrota reverbera na gestão de recursos e escolhas táticas para as próximas partidas.
Como analista, vejo na sequência de resultados da seleção feminina um chamado para consolidar processos. O esporte moderno pede que clubes e federações alinhem formação, análise de desempenho e calendários de competição. O desafio para a Italcurling é transformar partidas equilibradas em vitórias constantes — tarefa que exige paciência institucional e olhos clínicos sobre a evolução técnica das atletas.
As próximas partidas definirão se a equipe reage ou se a campanha sofrerá desgaste irreversível. Para os adeptos e observadores, resta acompanhar de perto as decisões táticas e a gestão emocional do elenco: são essas nuances que, frequentemente, diferenciam um empate dramático de uma vitória histórica.






















