CORTINA D’AMPEZZO — Em jogo decidido nos detalhes, a tentativa de repetição do ouro olímpico no curling por parte de Stefania Constantini e Amos Mosaner terminou em frustração: a dupla italiana foi derrotada por 9-8 pela equipe dos EUA na semifinal de duplas mistas em Milano Cortina 2026.
O resultado, registrado nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, elimina a possibilidade de um bicampeonato consecutivo para os atuais campeões olímpicos e, ao mesmo tempo, mostra como o curling é hoje um esporte de margens mínimas, onde uma única pedra pode alterar trajetórias pessoais e narrativas nacionais. Com a derrota por apenas um ponto, a dupla azzurra agora se prepara para disputar a medalha de bronze contra a seleção da Grã-Bretanha.
Para além do placar, a eliminação tem significado maior. A vitória de Constantini e Mosaner em 2022 colocou o curling no mapa esportivo italiano de maneira inédita — não apenas como curiosidade, mas como vetor de identidade e orgulho regional, especialmente nas áreas alpinas onde práticas de gelo fazem parte do cotidiano desportivo. A expectativa por um novo pódio em casa, em plena Milano Cortina, aumentou a pressão sobre os ombros dos atletas.
O confronto com os norte-americanos reforça a ideia de que, nas fases finais de um torneio olímpico, experiência, resiliência e capacidade de execução sob tensão são determinantes. Perder por 9-8 não altera a qualidade do percurso dos atletas italianos, mas impede que a narrativa se transforme em confirmação histórica: repetir um ouro exige algo além do talento — requer invulnerabilidade a flutuações mínimas e uma leitura fria do momento.
Do ponto de vista coletivo, a eliminação abre uma reflexão sobre estruturas de apoio e legado. A glória de 2022 trouxe holofotes, investimentos e esperança para centros de formação; agora, o desafio é consolidar esses ganhos para que o curling passe de evento episódico a modalidade com base sólida no país. A partida em Cortina, tensa e decidida nos detalhes, é um lembrete da fragilidade das conquistas e da necessidade de políticas desportivas consistentes.
Para Constantini e Mosaner, resta a oportunidade de transformar a decepção em um fim de torneio com honra: a disputa pelo bronze contra a Grã-Bretanha será uma oportunidade de reafirmar qualidade, capitalizar a experiência e, do ponto de vista simbólico, oferecer à torcida italiana um novo momento de orgulho em casa.
Nos próximos dias, será relevante observar decisões técnicas e psicológicas da equipe italiana: como reagir ao revés, quais ajustes serão feitos no plantel e na estratégia, e de que modo a dupla canalizará a energia restabelecida para a última partida. O curling em Milano Cortina 2026 segue dizendo muito sobre o esporte contemporâneo — sua capacidade de surpreender, de unir cidades e de projetar identidades nacionais em formatos aparentemente singelos, como pedras deslizando sobre o gelo.
Em suma: a eliminação por 9-8 é um golpe, mas não uma sentença definitiva. Resta a Constantini e Mosaner a possibilidade de encerrar os Jogos com uma medalha e de manter viva a chama de um movimento que, nos Alpes e nas pistas, busca se institucionalizar além do brilho de um ouro.




















