Milano Cortina chegou ao seu epílogo nesta noite com a cerimônia de encerramento realizada na histórica Arena de Verona. Sob o título “Beauty in Action“, o evento começou com um corto filmado especialmente para a ocasião, embalado pelas notas da tradição lírica que o anfiteatro da cidade scaligera naturalmente evoca.
A sessão reuniu autoridades políticas e esportivas de destaque. Estavam presentes a primeira-ministra Giorgia Meloni, o presidente da Câmara Lorenzo Fontana, os ministros Matteo Salvini e Andrea Abodi, a presidente do Comitê Olímpico Internacional Kirsty Coventry e Giovanni Malagò, em representação da Fondazione Milano Cortina. No parterre, compareceram também os presidentes regionais Attilio Fontana (Lombardia), Maurizio Fugatti (Provincia Autonoma di Trento), Alberto Stefani (Vêneto) e o presidente do Conselho Regional do Vêneto, Luca Zaia.
Escolher a Arena de Verona para encerrar os Jogos de Inverno foi, mais do que um gesto estético, uma decisão simbólica. O anfiteatro — ícone da grandiosidade cívica e da dramaturgia operística italiana — ofereceu um cenário onde esporte e patrimônio cultural dialogaram em alto-falante. A imagem de uma competição técnica e contemporânea findando entre as pedras milenares de um monumento é uma ilustração do que estes Jogos aspiraram representar: uma ponte entre modernidade e memória.
Não se tratou apenas de encerrar uma edição olímpica; foi, nas palavras de muitos observadores, a tentativa de traduzir em espetáculo a narrativa oficial do evento: excelência atlética, riqueza cultural e capital político. A presença de figuras como Giorgia Meloni e outros nomes do Executivo e das administrações locais sinaliza que os Jogos continuam a ser — para além do pódio — um palco de afirmação institucional e de visibilidade geopolítica.
Para quem acompanha o esporte com atenção histórica e social, a cerimônia reafirma duas constatações. Primeiro, que megaeventos esportivos não são episódios isolados: são momentos de rearticulação de imagem, turismo e investimento público. Segundo, que a teatralidade é estratégica — utilizar a ópera e um anfiteatro secular para fechar um ciclo esportivo é sublinhar um projeto de identidade que pretende capitalizar símbolo e espetáculo.
Enquanto as luzes da Arena se apagavam e os aplausos ecoavam entre arcos e pedras, ficou a sensação de um fechamento que também é um gesto de passagem: os legados técnicos e infraestruturais, as memórias individuais dos atletas e a narrativa coletiva do país sobre si mesmo. A cerimônia “Beauty in Action” quis, comedido e preciso, conjugar tudo isso num único ato final — e Verona, cidade que guarda em sua paisagem a continuidade entre passado e presente, ofereceu o enquadramento apropriado.
Reportagem e análise por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia.






















