Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Depois da encerrada sequência de velocidade — downhill e a combinada por equipes —, a pista da Olimpia delle Tofane volta a centrar atenções com o último ato das provas rápidas: o Super-G. Nesta quarta-feira, a delegação italiana manteve a rotina de treinos e afinou detalhes técnicos em vista da disputa que fechará as provas de velocidade em Milano Cortina.
O quadro italiano para a prova apresenta nomes que carregam não só estatísticas, mas histórias. A presença de Sofia Goggia, definida na matéria original como bronzo olimpico, traz o peso de uma carreira construída na velocidade: Goggia é sinônimo de coragem em pistas que exigem leitura imediata e compromisso físico. Ao lado dela, Federica Brignone chega galvanizada pelo décimo lugar na descida, resultado que renovou confiança e acrescentou ímpeto para tentar um pódio numa disciplina em que ainda busca afirmar consistência.
Mais discretas, mas não menos significativas, são as trajetórias de Laura Pirovano e Elena Curtoni. Pirovano, sexta na descida de domingo e terceira na sua prova dentro da combinada por equipes antes que a queda de Martina Peterlini encerrasse as aspirações coletivas, confirmou o casamento técnico com a Olimpia delle Tofane. Ela chega ao Super-G disposta a interromper a sequência de oportunidades desperdiçadas que a impede de subir ao pódio nos grandes momentos.
Curtoni, por sua vez, viveu frustrações recentes com exclusões na descida e na combinada, mas ostenta um histórico que não pode ser subestimado: sete pódios em Copa do Mundo, incluindo uma vitória justamente em Cortina há quatro anos. Esse passado recente transforma qualquer retorno ao mesmo cenário em um encontro entre memória e expectativa — elemento que raramente passa despercebido num esporte tão ligado ao lugar e à tradição.
No plano prático, o trabalho de pista variou conforme o perfil de cada atleta: Brignone e Goggia realizaram treinos sobre os portões de gigante, uma preparação ocular e técnica também pensada para a prova de domingo; Curtoni e Pirovano concentraram-se nos trechos e na velocidade específicos do Super-G, modalidade que fechará a participação italiana nas disciplinas rápidas.
O quarteto que descerá amanhã representa um dos conjuntos mais competitivos do chamado Circo Branco, com combinações de experiência, afronta e fome de resultados. A prova se dará diante de um público atento e de figuras que dão relevo institucional ao evento — reflexo de como os Jogos de Milano Cortina funcionam também como palco de afirmações simbólicas para o esqui alpino italiano.
Mais do que a busca por medalhas, o que se coloca em jogo é a confirmação de trajetórias e a continuidade de narrativas: a da recuperação, a da confirmação de talento, e a da ligação ancestral entre atletas e pistas que moldaram sua carreira. Amanhã, na Olimpia delle Tofane, cada linha traçada na neve será um pequeno capítulo dessa história.






















