Por Chiara Lombardi — A cerimônia de abertura das Olimpíadas Milano‑Cortina mostrou-se, do ponto de vista televisivo, um verdadeiro espelho do nosso tempo: um grande espetáculo que mescla a celebração nacional com a exposição da Itália para centenas de milhões de espectadores. Na prática, foi um triunfo de audiência que lembra — e em partes replica — o impacto midiático de um Sanremo em escala esportiva.
Mesmo com a duração extensa — cerca de três horas e meia de transmissão — e apesar das críticas direcionadas à narração do diretor da RaiSport, Paolo Petrecca, os números comprovam o sucesso. O padrão Auditel registrou 9.272.000 espectadores médios entre as 20h00 e as 23h30, resultando em 46,2% de share. A métrica de Total Audience adicionou quase 100 mil espectadores, elevando a média para 9.368.000 espectadores, sinalizando que plataformas alternativas — smartphones, PCs e tablets — ampliaram o alcance do evento ao vivo.
Há, ainda, um capítulo à parte: os telespectadores da Eurosport (grupo Warner Bros Discovery) não constam na currency Auditel, pois o canal também está disponível em plataformas como HBO Max, Tim Vision e Prime Video. Assim, a contabilidade global das audiências exige uma estimativa consolidada para abranger todos os territórios e canais envolvidos.
O que realmente chama atenção é a demografia do público. A televisão recuperou uma parcela significativa de espectadores jovens: impressionantes 65% de share entre 15 e 24 anos, um recorde que confirma como grandes eventos ao vivo ainda são capazes de atrair públicos que, em outros contextos, migraram para o digital. Entre os espectadores com mais de 65 anos, o share foi de 44%, enquanto o público com nível universitário marcou 62% de share — indicadores de uma audiência ao mesmo tempo ampla e qualificada.
A distribuição territorial do consumo televisivo também revela um roteiro sociocultural: a Lombardia dominou as cifras, com quase 60% de share — compreensível, dado que Milão foi o palco central — enquanto as regiões do Sul ficaram, em média, abaixo dos 40% de share. Em termos de gênero, os homens superaram levemente as mulheres em share.
O pico da transmissão ocorreu às 20h41, momento entre a participação de Pierfrancesco Favino e o início da defile, alcançando mais de 11 milhões de espectadores — um ápice que confirma a capacidade do evento de criar imagens e sequências icônicas, verdadeiros frames do roteiro oculto da sociedade que se desenha diante das câmeras.
Ao final, resta a constatação: a cerimônia não foi apenas entretenimento, mas um acontecimento cultural que reverberou identidades, memórias e ambições nacionais. E, como em um bom filme, as críticas — inclusive sobre a telecronaca — fazem parte do epílogo, lembrando que a narrativa pública se constrói tanto pelos números quanto pelas vozes que a comentam.
Dados: elaboração Geca com base em Auditel. Texto adaptado e interpretado por Chiara Lombardi para Espresso Italia.






















