Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
Em coletiva realizada após a noite inaugural, Andrea Varnier, administrador delegado de Milano Cortina 2026, avaliou com satisfação a execução da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno. Segundo Varnier, as operações gerais transcorreram “muito bem” apesar da complexidade inédita do formato adotado para este evento olímpico.
O aspecto mais distintivo da organização, enfatizou o dirigente, foi a decisão estratégica de dispersar a cerimônia por quatro locais distintos. Essa opção, cujo desafio logístico não deve ser subestimado, teve como objetivo aproximar a festa olímpica de diferentes territórios e dar protagonismo a áreas de montanha habitualmente distantes dos grandes centros.
“Num contexto muito particular como o que escolhemos, não era simples”, admitiu Varnier, ao mesmo tempo em que ressaltou o êxito da iniciativa. Um dos resultados mais celebrados foi a possibilidade dada aos atletas que residem nos vilarejos e nas áreas montanhosas de participarem efetivamente de uma cerimônia, em vez de ficarem à margem do espetáculo.
Nos números apresentados pelo dirigente, a edição afirma ter vendido 61.221 ingressos para a cerimônia principal. Além disso, Varnier mencionou que cerca de 10.000 pessoas participaram nas chamadas cerimônias remotas, espalhadas pelas localidades selecionadas. “Acreditamos ter batido o recorde de público pagante para uma cerimônia olímpica de inverno na história”, declarou, ponderando em seguida que o alcance real do evento foi superior ao número de bilhetes vendidos graças ao envolvimento nas localidades remotas.
Como analista atento às intersecções entre esporte, memória coletiva e território, é possível ler nesse desenho da cerimônia uma tentativa explícita de reconfigurar a relação entre Olimpíadas e espaço geográfico. Em vez do palco único e monumental, optou-se por uma distribuição que busca reconhecimento simbólico e visibilidade para a periferia montanhosa — uma decisão com implicações culturais e econômicas, sobretudo para regiões cujo turismo está intimamente ligado à temporada de inverno.
Do ponto de vista organizacional, realizar atuações sincronizadas em múltiplos palcos exige planejamento avançado, redundância técnica e coordenação fina entre equipes de produção, segurança e mobilidade. O resultado comunicado por Varnier indica que essas engrenagens funcionaram na prática; a interpretação pública, no entanto, dependerá das avaliações da audiência, da crítica e do legado percebido nos dias seguintes.
Encerrando a coletiva, Varnier disse sentir-se “muito satisfeito” com o que foi entregue e orgulhoso da equipe envolvida num empreendimento que, por sua própria natureza, testou limites logísticos e narrativos. Resta agora acompanhar como essa experiência influenciará modelo de cerimônias futuras e que memória deixará nas cidades anfitriãs.
Reprodução reservada © Copyright ANSA — declaração e números citados por Andrea Varnier na coletiva pós-cerimônia.





















