Por Otávio Marchesini, Espresso Italia.
O dia 12 de fevereiro nos Milano Cortina 2026 apresenta uma agenda densa e simbólica para a delegação italiana. A jornada combina provas técnicas e de resistência, provas de velocidade em pistas urbanas e disputas que tendem a definir narrativas esportivas e coletivas para o país. Há ainda a confirmação de presença institucional de peso: o Presidente da República, Sergio Mattarella, estará em Cortina d’Ampezzo para o grande momento do dia.
O programa abre cedo com o curling: às 9h05, a seleção italiana enfrenta a Suíça na fase de grupos, com a formação de Stefania Constantini, Marta Lo Deserto, Rebecca Mariani, Elena Antonia Mathis e Giulia Zardini Lacedelli em ação. A partida é parte de um torneio que, além do resultado imediato, serve para calibrar rotinas e adaptar a equipe às pressões de um evento olímpico em solo nacional.
Paralelamente, em Cortina, vão a pista as primeiras duas descidas do skeleton individual masculino às 9h30 e 11h08, com Amedeo Bagnis e Mattia Gaspari representando a Itália. Ambas as passagens são decisivas para a composição do ranking final — provas curtas onde cada centésimo define trajetórias e histórias pessoais.
Em Livigno, o dia técnico começa com as qualificações do snowboardcross masculino (10h00 e 10h55), que terão os italianos Filippo Ferrari, Lorenzo Sommariva e Omar Visintin em busca de vagas para as eliminatórias. O formato da prova, intenso e imprevisível, oferece chances reais de pódio e costuma gerar imagens que se tornam ícones nas transmissões.
Às 11h30, o momento de maior expectativa: o supergigante feminino em Cortina d’Ampezzo, com as italianas Federica Brignone, Elena Curtoni, Sofia Goggia e Laura Pirovano na pista. A presença do Presidente Mattarella confere ao evento um caráter solene — é a expressão de como o esporte nacional se mistura a símbolos de representação e orgulho público.
Às 13h00, em Lago di Tesero, a prova de fundo de 10 km técnica livre feminina reúne Anna Comarella, Martina Di Centa, Caterina Ganz e Maria Gismondi. Testes de resistência como este são, para a Itália, terreno de formação e afirmação de uma tradição que mistura investimento e legado regional.
Entre 13h45 e 15h20, em Livigno, serão disputadas as fases finais do snowboardcross masculino e feminino, com as primeiras medalhas do dia em jogo. A concentração de provas eliminatórias em poucas horas intensifica o caráter espetacular da programação.
Às 16h30, em Milão, Francesca Lollobrigida retorna ao gelo para os 5.000 metros do pattinaggio velocità — prova que ela disputa após o ouro nos 3.000 m. A sua presença reconfigura expectativas e obriga rivais a recalibrar estratégias, ao mesmo tempo em que oferece ao público italiano uma narrativa de continuidade e responsabilidade sobre o sucesso conquistado.
O fim de tarde leva a competição de slittino em equipe às 18h30, novamente em Cortina d’Ampezzo. Às 19h05, o curling volta com Itália x Coreia do Sul na fase de grupos, sequência importante para a trajetória dos azzurri no torneio.
O encerramento da programação se dá com o short track em Milão: a partir das 20h15 serão disputados quartos de final, semifinais e finais dos 500 m feminino (com Chiara Bette e Arianna Fontana) e dos 1.000 m masculino (com Thomas Nadalini, Pietro Sighel e Luca Spechenhauser). As finais A estão previstas para as 21h36 e 21h48, respectivamente — momentos que prometem emoções, tensões e, possivelmente, pódios.
Mais do que um calendário, 12 de fevereiro funciona como um microcosmo do evento: reúne esportes de velocidade, técnica, combate por posições e resistência, e espelha a variedade dos investimentos regionais que sustentam o esporte italiano. Para o público e para as estruturas de formação, os resultados serão importantes, mas as narrativas formadas ao longo do dia — presença institucional, atletas que confirmam trajetórias e jovens que se expõem — terão efeito duradouro sobre a memória esportiva do país.






















