Por Otávio Marchesini — Enquanto Milano Cortina 2026 segue construindo sua narrativa, o programa desta sexta traz provas decisivas e inscrições que dizem muito sobre o momento do esporte italiano. A partir das 11h30 o foco será o SuperG masculino, com os nossos nomes de maior peso na disciplina: Paris e Franzoni entram na pista com ambição de pódio e a pressão de representar expectativas que já ganharam contornos históricos.
Ao lado do esqui alpino, os refletores apontam para o biatlo feminino, prova individual de 15 km onde as atenções se concentram sobre Lisa Vittozzi e Dorothea Wierer. Em competições assim, a combinação de precisão no tiro e resistência na pista traduz não só preparo físico, mas também profundos investimentos institucionais na formação de atletas — e na capacidade de um país de manter sequência em alta performance.
Também na programação: as duas mangas do slittino doppio em Cortina d’Ampezzo, uma prova de tradição alpina onde a margem entre o êxito e a frustração é medida em décimos; a estreia da seleção masculina de hóquei contra a Suécia, que entra com um elenco recheado por 25 jogadores da NHL — um desafio de escala e experiência para os italianos; e o patinaje, com destaque para a dança no gelo onde Marco Fabbri e Charlene Guignard figuram entre os protagonistas.
Nem todas as notícias foram de pista: Manuela Passaretta não pôde largar nas qualificações do freestyle (moguls), por problemas de saúde que a impediram de competir. No snowboard, a qualificação feminina do halfpipe começou sem representantes italianas na pista.
Em andamento está a combinata nórdica masculina — salto do trampolim pequeno seguido por 10 km de fundo — com o azzurro Samuel Costa figurando, no momento, em 12º lugar após a fase de saltos. Essas provas compostas são, bem ao estilo do esporte nórdico, uma narrativa sobre versatilidade e tradição esportiva.
No plano estatístico, Milano Cortina já merece um capítulo à parte: com dois ouros, duas pratas e sete bronzes (11 pódios), a delegação italiana igualou, em apenas quatro dias, o total de medalhas conquistadas em Torino 2006 — até hoje a edição mais generosa para o País. Foi também em dias recentes que o evento registrou um recorde histórico para a Itália: seis medalhas em um único dia, um sinal claro da profundidade do plantel e dos acertos técnicos e administrativos que precederam os Jogos.
O quadro que se desenha para as próximas jornadas combina disputas de alto nível com implicações simbólicas: estádios e pistas não abrigam só atletas, mas relatos de região, investimento público e privado, e a reprodução de memórias esportivas. Restam ainda doze dias de competição — tempo suficiente para reescrever estatísticas e, sobretudo, para consolidar narrativas.
Veja onde assistir e acompanhe a cobertura ao vivo: a rotina do dia coloca o SuperG no centro do noticiário esportivo, seguido pelo biatlo, pelas provas de slittino, pelo início do hóquei e pelas disputas de patinação de velocidade (1000 m masculino) e de patinação artística na modalidade dança.
Estas competições, tomadas em seu conjunto, não são apenas um somatório de resultados: são um diagnóstico sobre a capacidade institucional italiana de sustentar programas de alto rendimento, uma vitrine para talentos individuais e uma oportunidade para reafirmar presença e significado cultural em cenários esportivos continentais e globais.






















