Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A manhã desta jornada olímpica confirma a Itália como protagonista clara de Milano‑Cortina 2026. Após os resultados emblemáticos de ontem — a vitória na staffetta mista do short track e o bronze no duplo misto do curling — a delegação italiana ultrapassou a casa das dez medalhas e encara um dia repleto de oportunidades: até oito títulos estarão em disputa.
O dia abre com os olhos voltados para a Stelvio: às 11h30 está marcado o super‑G masculino de esqui alpino, prova que atraiu também a atenção institucional com a presença do Presidente Mattarella. Quatro azzurri entram na pista — Mattia Casse, Giovanni Franzoni, Christof Innerhofer e Dominik Paris — e, historicamente, esta é uma disciplina em que a margem entre glória e fracasso se decide por detalhes técnicos e pela leitura do terreno. Paris e Franzoni aparecem como as cartas mais fortes da Itália, num trecho que tende a premiar experiência e arrojo.
À tarde, o cronograma reserva a prova individual feminina de biathlon (15 km), às 14h15. Hannah Auchentaller, Michela Carrara, Lisa Vittozzi e Dorothea Wierer representam a Itália numa prova longa e seletiva onde o rendimento no polígono será determinante. Vittozzi e Wierer, por trajetória e regularidade, encarnam as maiores esperanças de pódio; porém, como em qualquer prova de precisão, a coerência entre esqui e tiro fará a diferença.
Em Cortina, na pista Eugenio Monti, o slittino coloca em disputa as provas de duplas. No duplo feminino (sessões às 17h00 e 18h53) a composição italiana aposta em Andrea Voetter e Marion Oberhofer. Nos duplos masculinos (17h51 e 19h44), entram as duplas Ivan Nagler/Fabian Malleier e Emanuel Rieder/Simon Kainzwaldner — formações que, pela experiência e consistência, têm o pódio como objetivo realista.
O período vespertino e noturno mistura velocidade e arte sobre o gelo. Às 18h30 ocorre a final dos 1000 m do pattinaggio di velocità masculino, com Francesco Betti e Daniele Di Stefano chamados a um desempenho técnico e tático elevado, em uma prova tradicionalmente dominada por margens mínimas. Em seguida, às 19h30, a dança sobre o gelo definirá medalhas no pattinaggio di figura. Charlène Guignard e Marco Fabbri, que ficaram em quinto após a primeira parte, precisam de um free dance agressivo para recuperar terreno e ao menos lutar pelo bronze.
Complementam a programação o início dos torneios masculinos de curling e hóquei no gelo, ambos com confrontos iniciais da Itália contra a Suécia; as qualificações do halfpipe no snowboard; e provas do skeleton. É uma combinação de modalidades que expõe a diversidade do espetáculo olímpico e a necessidade de uma delegação multifacetada.
O dia anterior trouxe emoções fortes e simbólicas. No short track, o sexteto italiano liderado por Arianna Fontana conduziu a final da staffetta mista com autoridade, retomando para a Itália um protagonismo histórico na pista curta. No curling, Amos Mosaner e Stefania Constantini confirmaram a continuidade do movimento com o bronze no duplo misto — um pódio que espelha um trabalho de longo prazo e um programa técnico culturalmente enraizado nas regiões alpinas.
Mais que a contagem de medalhas, o que se destaca é a capacidade da Itália de converter tradições regionais, estruturas de formação e figuras históricas do esporte em resultados que reverberam para além do pódio. Hoje é um dia para medir amplitude e profundidade: de Paris nas encostas da Stelvio às duplas do luge em Cortina, cada disputa carrega um fragmento da identidade esportiva italiana — e, com ela, do país em cena nas suas múltiplas geografias.






















