Por Otávio Marchesini — Espresso Italia. O calendário esportivo de hoje em Milano Cortina apresenta uma combinação de decisões diretas e incertezas climáticas: da combinada nórdica ao bob a 4, com sete finais ao todo. No centro das atenções, o duelo eliminatório de hóquei entre Itália e Suíça — um confronto que carrega memória e esperança para a seleção italiana.
Hóquei: um primeiro período que gira contra a Itália
Na Rho Ice Hockey Arena, o primeiro período acabou com a Itália em desvantagem de 0-2 frente à Suíça. O número de disparos traduz a diferença de dinâmica: 17 a 2 para os suíços. Entre os poucos lampejos azzurri, sobressaiu-se Tommaseo De Luca com uma boa oportunidade de gol, que, contudo, não alterou o placar.
Aos 10’01” do período, Larkin recebeu dois minutos de penalidade; 24 segundos depois veio o segundo gol, marcado por Josi em power play. A sequência do jogo sofreu um susto quando Matt Bradley, atacante de referência da primeira linha italiana, caiu já aos 20″ do período após um choque com Jonas Siegenthaler. O impacto levou Bradley a bater casco e ombro na proteção, obrigando-o a deixar o gelo temporariamente.
Houve ainda um incidente com um árbitro atingido por um disco, sem consequências graves. O quadro técnico é sólido: com o modelo olímpico de eliminação direta, bastam 60 minutos para que uma equipe escreva a sua página — e a Itália, apesar de três derrotas anteriores, ainda tem a chance única de avançar. Ao lado do gelo, a presença de Jukka Jalonen como treinador dá à equipe um fio condutor experiente numa situação de alta pressão; a Finlândia observa pronta para aproveitar qualquer vacilo no playoff.
Contexto histórico e significado
O duelo remete a 21 de fevereiro de 2006, em Turim, quando Suíça e Itália empataram por 3-3 — coincidência cronológica: hoje se passaram exatamente 7.301 dias daquela partida. Em termos simbólicos, o confronto atual traduz mais do que a busca por uma vaga; é também um teste à resiliência de um projeto esportivo que, na Itália, carrega dimensões regionais e identitárias.
Combinada nórdica, fundo e biathlon: roteiro do dia
A programação inclui a prova de combinada nórdica, onde os azzurri aparecem em posição de desvantagem após o salto inicial; o segmento de fundo está previsto para as 13h45. O biathlon é a outra aposta de público e especialistas, aguardado com atenção pelos desempenhos individuais e pela leitura tática das transições entre tiro e esqui.
Neve em Livigno e impacto nas provas
Em Livigno continua a nevar intensamente após a tempestade que deixou cerca de 40 centímetros de acumulado. As operações de limpeza da pista prosseguem e colocam em risco parte da programação local. A primeira descida do big air masculino foi adiada em meia hora, passando a começar às 11h15; não há atletas italianos na disputa desta prova. A imprevisibilidade meteorológica volta a sublinhar o papel do espaço natural como ator determinante nos esportes de inverno.
O espetáculo paralelo: redes sociais e audiência
Os Jogos em tempos digitais oferecem também uma narrativa paralela: os bastidores, as conversas e a interação direta entre atletas e público. Dados do COI mostram números expressivos: 1,3 bilhão de engagements (curtidas, compartilhamentos, comentários e demais interações), uma média de 500 mil por cada um dos cerca de 2.900 participantes, e um total agregado de 900 milhões de seguidores. A patinadora Jutta Leerdam aparece como fenômeno: sozinha, já gerou mais de 100 milhões de interações até o momento.
Hoje, portanto, a agenda entrelaça decisões esportivas e decisões logísticas — dentro e fora das pistas. Acompanhar Milano Cortina neste dia é observar não apenas resultados, mas também como o esporte moderno gere crises climáticas, expectativas midiáticas e memórias coletivas.






















