No décimo segundo dia de competições em Milano Cortina 2026, a narrativa das Olimpíadas volta a dialogar com história e território. Nesta quinta-feira, 19 de fevereiro, o evento ganha um capítulo de forte simbolismo: o debut olímpico do sci alpinismo — modalidade profundamente enraizada nas tradições alpinas da Itália — com provas em Bormio que carregam mais do que a busca por medalhas; carregam memória, técnica e identidade regional.
Para a Itália, os olhos se voltam especialmente para Giulia Murada, atleta que disputa a chance de conquistar a primeira medalha olímpica da história da disciplina. Não se trata apenas de um resultado esportivo: a possibilidade de pódio em sci alpinismo representa o reconhecimento institucional de um esporte que nasceu da necessidade e da cultura das montanhas e que, agora, é trazido para o palco global dos Jogos.
No plano competitivo de pista, a última conquista dos Azzurri veio pela staffetta femminile do short track, uma vitória que reverberou também no plano político — com a presença ostensiva da primeira‑ministra Giorgia Meloni no Forum de Assago, cenário de um curto e enfático espetáculo público que acompanhou a equipe italiana. Foi ali que os italianos alcançaram o 25º pódio nesta edição, número que confirma a estabilidade do movimento esportivo nacional mesmo em tempos de pressões estruturais e econômicas.
Na noite desta quinta, outra história que sintetiza tradição e renovação volta à pista: o retorno do pattinaggio di figura com a italiana Lara Naki Gutmann em competição. A sua performance será avaliada num contexto em que o patinação artística segue sendo um dos palcos mais visíveis da busca por excelência técnica e por narrativas individuais que transcendem o resultado.
Do ponto de vista cultural, o ingresso do sci alpinismo no programa olímpico é uma janela para discutir políticas de formação, sustentabilidade das modalidades de montanha e o papel das federações locais. É também um lembrete de que os Jogos, além de medir forças atléticas, reconfiguram hierarquias simbólicas ao conferir visibilidade internacional a práticas que, por décadas, permaneceram circunscritas a comunidades específicas.
Enquanto as provas em Bormio entram em cena, a expectativa italiana é dupla: garantir medalhas que consolidem a campanha de Milano Cortina 2026 e, ao mesmo tempo, reafirmar a correlação entre esporte e identidade territorial — uma narrativa que, no caso do sci alpinismo, tem raízes tão profundas quanto as trilhas nas encostas alpinas.
Em tempo: a cobertura ao vivo e os desdobramentos das competições seguem atualizados ao longo do dia, com ênfase nas performances de Giulia Murada e Lara Naki Gutmann, e com o mesmo olhar atento às estruturas que sustentam o esporte italiano.





















