Os olhos do público, como numa manhã em que a paisagem respira mais densa, estavam todos voltados para Milano Cortina 2026 e, em especial, para a nossa eterna caça às emoções: a descida livre feminina. Numa pista que pede coragem e precisão, a italiana Sofia Goggia voltou a tocar o pódio, garantindo a medalha de bronze em uma prova marcada por um triunfo apertado e por um acidente que fez calar a chegada.
No topo da classificação ficou a norte-americana Breezy Johnson, que disputou cada centésimo com a delicadeza e a força de quem sabe ler o vento. Johnson venceu com o tempo de 1:36.102. Logo atrás, com apenas 0,04s de diferença, a jovem alemã Emma Aicher conquistou a prata. Goggia terminou em terceiro, a 0,59s da vencedora, reafirmando sua presença entre as grandes da velocidade, como uma árvore que mantém suas raízes firmes mesmo quando o vento pressiona.
Resultado parcial do top 15:
- 1º Breezy Johnson (EUA) — 1:36.102
- 2º Emma Aicher (ALE) — +0,04
- 3º Sofia Goggia (ITA) — +0,59
- 4º Jacqueline Wiles (EUA) / Cornelia Hütter (AUT) — +0,86
- 6º Laura Pirovano (ITA) — +0,94
- 7º Kajsa Vickhoff Lie (NOR) — +0,98
- 8º Ariane Raedler (AUT) — +1,10
- 9º Kira Weidle-Winkelmann (ALE) — +1,16
- 10º Federica Brignone (ITA) — +1,19
- 11º Mirjam Puchner (AUT) / Nicol Delago (ITA) — +1,55
Foi, contudo, a queda de Lindsey Vonn que roubou boa parte do fôlego do público. A campeã americana, com o número 13, sofreu uma queda dramática poucos segundos após a largada — cerca de 12 segundos de prova — ao descompassar-se num salto e perder o controle no ar. A sensação foi a de um ramo que, ao partir, faz ecoar um silêncio pesado entre os espectadores. Vonn foi socorrida no local e a prova chegou a ser interrompida; há preocupação com o joelho, que já havia sido alvo de problemas no passado.
Do ponto de vista italiano, é reconfortante ver a presença de várias atletas no topo: além de Sofia Goggia, tivemos a consistência de Federica Brignone, que finalizou na casa dos +1,19s, a solidez de Laura Pirovano (top 10) e o bom desempenho de Nicol Delago. Há, ainda, um sentimento de que a equipe busca reconectar-se com a velocidade plena — um pouco de confiança a mais nas linhas rápidas poderia transformar esses centésimos em medalhas de prata ou ouro.
Enquanto a neve absorve o barulho das pranchas, outro capítulo do dia trouxe alegria: o grande desempenho italiano no snowboard paralelo. Classificaram-se para as finais nomes experientes e jovens promessas, entre eles Roland Fischnaller, Aaron March, Mirko Felicetti, Maurizio Bormolini, Lucia Dalmasso, Elisa Caffont e Jasmin Coratti — uma verdadeira colheita de talentos que deixa o país com boas expectativas nas modalidades de prancha.
Por fim, não podemos tirar os olhos do cenário maior: Milano Cortina 2026 é, para além da competição, uma respiração entre cidade e montanha, um encontro entre técnicas e sensações. Hoje vimos tanto o triunfo calculado como o risco que lembra quão frágeis somos diante da velocidade. Resta aguardar pelas atualizações médicas sobre Lindsey Vonn e celebrar a persistência da Itália nas pistas.





















