Milano Cortina 2026 deixou uma marca histórica não apenas no quadro de medalhas, mas também nas contas bancárias dos atletas italianos. Com uma coleção de 30 medalhas — sendo 10 ouros, 6 pratas e 14 bronzes — a delegação da Itália superou recordes anteriores e ocupou o quarto lugar no quadro geral, atrás apenas da Noruega e dos Estados Unidos.
Do ponto de vista financeiro, os resultados traduziram-se em um montante expressivo: o Comitato Olimpico Nazionale Italiano (CONI) destinou um total de 6,57 milhões de euros em prêmios vinculados às medalhas. A tabela de remuneração fixou as quantias em 180.000 euros por ouro, 90.000 euros por prata e 60.000 euros por bronze. Importante ressaltar que, para provas coletivas como as estafetas, o reconhecimento é atribuído integralmente a cada atleta, sem divisão do valor.
Em termos individuais, nomes já consolidados no imaginário esportivo italiano receberam somas significativas. Federica Brignone e Francesca Lollobrigida, com dois ouros cada, embolsaram 360.000 euros proveniente apenas dos prêmios oficiais. De modo semelhante, Arianna Fontana, com um ouro e duas pratas, também atingiu a cifra de 360.000 euros. Do outro lado do espectro, atletas como Flora Tabanelli, que conquistaram bronze, receberam 60.000 euros.
Além dos valores, Milano Cortina 2026 introduziu uma novidade fiscal de grande impacto: pela primeira vez, os prêmios em dinheiro concedidos pelo CONI não serão tributados. As quantias reconhecidas aos atletas não integrarão a base do rendimento tributável, o que significa que serão recebidas de forma integral. Essa decisão não é apenas um alívio financeiro imediato para os atletas; representa uma mudança simbólica na relação entre o Estado, as instituições esportivas e o reconhecimento material do mérito competitivo.
Como repórter e analista que observa o esporte através das lentes da história e da cultura, vejo nesse episódio duas leituras complementares. Primeiro, a materialização de uma narrativa de sucesso esportivo: as medalhas transformam-se em recursos concretos que valem para treinamento, carreira e visibilidade. Segundo, o gesto de desonerar fiscalmente os prêmios insere o evento olímpico italiano num contexto político e social mais amplo — é um reconhecimento institucional do papel dos atletas como ativos nacionais e símbolos de projeção internacional.
Milano Cortina 2026, portanto, não foi apenas uma vitória nas pistas e nos pódios. Foi também um ponto de inflexão na forma como o desempenho esportivo é recompensado e reconhecido no país. Resta acompanhar agora como esses recursos serão convertidos em políticas de formação, infraestrutura e apoio ao atleta — elementos essenciais para que o desempenho extraordinário observado em 2026 não seja uma exceção, mas o começo de um ciclo sustentado.





















