Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
A Itália iniciou com força simbólica e real as Olimpíadas Milano Cortina 2026. Na primeira prova que distribuía medalhas, a descida livre, disputada na técnica e temida pista Stelvio em Bormio, a delegação italiana conquistou dois pódios: prata para Giovanni Franzoni e bronze para Dominik Paris. A prova foi vencida pelo suíço Franjo Von Allmen, que cortou a linha de chegada com o melhor tempo do dia.
Mais do que um resultado esportivo, o episódio representa um início de torneio que casa expectativa e tradição. A dupla de medalhistas sintetiza bem dois polos da narrativa do esqui alpino italiano: de um lado, a confirmação de um veterano que já fez parte de muitas histórias da especialidade; do outro, a emergência de uma geração que aponta para futuro. Dominik Paris, figura já estabelecida entre os grandes nomes da velocidade, entrega mais uma página a uma carreira construída a golpes de coragem e ritmo, enquanto Giovanni Franzoni traduz a continuidade e a renovação — a prova de que a formação italiana, apesar das pressões e das mutações no circuito, segue a produzir talentos capazes de competir no mais alto nível.
A pista Stelvio, em Bormio, conhecida por sua exigência técnica e trechos de velocidade punidora, ofereceu o palco ideal para uma prova que não perdoa hesitações. Em cenários assim, detalhes mínimos — linha escolhida, comprometimento no salto, gestão do risco — definem distâncias entre o pódio e a frustração. A vitória de Franjo Von Allmen confirma a tradição suíça em provas de velocidade, mas o fato de a Itália ocupar as duas posições seguintes reverbera internamente: é o sinal de que, em casa, os italianos souberam transformar pressão em desempenho.
Politicamente e esportivamente, o resultado tem um alcance prático: aproxima o País da meta apontada pelo CONI, que estabeleceu a ambição de cerca de 20 medalhas ao final dos Jogos. Duas já no primeiro dia representam tanto um alívio quanto um incremento nas expectativas — agora calibradas entre realismo e responsabilidade. Para as cidades-sede e para a torcida, a imagem dos atletas italianos no pódio funciona como reforço identitário: estádios, pistas e topografias dos Alpes não são apenas cenários, são territórios de memória e disputa.
Do ponto de vista técnico, o dia pertenceu aos especialistas da velocidade. O resultado aponta também para a necessidade de leitura estratégica por parte das outras seleções: a Itália mostrou capacidade de extrair vantagem da familiaridade com terrenos alpinos e de colocar nomes experientes e jovens lado a lado, uma combinação que pode ser determinante ao longo do programa olímpico.
O dia 7 de fevereiro de 2026 ficará, portanto, registrado como a primeira confirmação de que a representação italiana em casa tem substância competitiva. Resta observar como esse impulso inicial será administrado nos dias seguintes, entre desafios técnicos, demandas de mídia e o peso simbólico de competir perante a torcida doméstica.
Resumo de pódio — Descida Livre (Stelvio, Bormio) — 07/02/2026
Ouro: Franjo Von Allmen (SUI)
Prata: Giovanni Franzoni (ITA)
Bronze: Dominik Paris (ITA)
Notas finais: Acompanhe as atualizações do medalheiro das Olimpíadas Milano Cortina 2026 e as análises sobre impacto social e esportivo das provas nesta cobertura da Espresso Italia.






















