Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — As condições meteorológicas em Livigno obrigaram a organização das Olimpíadas de Milano Cortina 2026 a adiar o início da final feminina do big air de sci freestyle, prevista inicialmente para esta segunda-feira, 16 de fevereiro. Uma intensa nevasca obrigou a revisão dos horários e impôs novas avaliações sobre segurança da pista e das atletas.
Segundo o cronograma revisado, a largada, que estava marcada para as 19h30, foi postergada para as 20h45, com a expectativa de que as condições melhorem na janela entre as 20h e as 21h. A organização trabalha para que a final tenha início por volta das 21h e seja concluída antes da meia-noite, conciliando o desejo de manter a programação televisiva com a prioridade óbvia pela integridade física das competidoras.
No Snow Park de Livigno estão confirmadas as italianas Flora Tabanelli e Maria Gasslitter, ambas chamadas a representar não apenas suas habilidades, mas a projecção simbólica de uma nação que trata os esportes de inverno como vetor de identidade e memória regional. A final feminina, porém, sofreu perdas significativas: as suíças Anouk Andraska e Mathilde Gremaud foram forçadas a abandonar a disputa após quedas nos treinos. Andraska sofreu uma lesão no punho, enquanto Gremaud — considerada uma das favoritas ao título — apresentou lesão no quadril. Ambos os casos seguem sob investigação médica.
É preciso sublinhar que a decisão de adiar não é apenas um ajuste de agenda; é uma expressão das prioridades que sustentam eventos de grande porte: segurança, integridade atlética e gestão de risco. Em regiões alpinas como Livigno, a meteorologia pode transformar a logística em desafio constante — não por acaso, a história dos Jogos de Inverno traz lições repetidas sobre a tensão entre espetáculo e prudência.
Do ponto de vista esportivo, a postergacão mexe com ritmos de aquecimento, preparação mental e estratégia de cada atleta. O big air exige precisão milimétrica e confiança plena em cada salto; qualquer interrupção pode alterar o grau de risco que uma competidora está disposta a assumir. Para treinadores e equipas técnicas, a janela de espera é também um momento de recalibrar abordagens, proteger atletas e avaliar a condição do traçado.
Os organizadores acompanham a evolução do tempo e prometem decisões rápidas conforme as condições se estabilizem. Aos espectadores e à comunidade esportiva, resta a expectativa: que a competição possa acontecer com integridade e que as atletas lesionadas recebam todo o suporte necessário. Em competições desse calibre, os resultados esportivos são importantes, mas o que permanece é a responsabilidade coletiva de priorizar a segurança — uma lição que atravessa gerações e que define a credibilidade das próprias Olimpíadas.
Atualizaremos a matéria assim que houver confirmação definitiva do horário de início e dos resultados médicos das atletas envolvidas.





















