Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — O dia 19 de fevereiro em Milano Cortina 2026 tem o gosto da inovação e da tradição lado a lado: estreia do esqui-alpinismo como prova olímpica, decisões cruciais no curling e tentativas individuais de afirmação no gelo. Mais do que resultados, são episódios que dizem respeito à identidade esportiva italiana e à forma como novas disciplinas se incorporam à narrativa coletiva.
O esqui-alpinismo entra oficialmente no programa com as provas de sprint masculina e feminina — percursos curtos e intensos, de aproximadamente 610 metros e com um desnível próximo de 70 metros. São corridas de cerca de três minutos, que condensam técnica, explosão e estratégia em espaço reduzido. A prova também servirá de prévia para a staffetta mista, agendada para 21 de fevereiro, em que duplas mistas (um homem e uma mulher) completarão o traçado duas vezes, alternando-se em cada volta.
Na prática, atletas como Michele Boscacci e as italianas Alba De Silvestro e Giulia Murada carregam, além das expectativas atléticas, a responsabilidade de traduzir para o público urbano do evento a dimensão de uma modalidade ainda jovem em palco tão grande. Para a Itália, a adesão ao esqui-alpinismo representa também uma afirmação de tradição alpina e de formação de base nas regiões de montanha.
No curling, o Team Retornaz encara a Suíça logo pela manhã em partida decisiva para as chances de classificação às semifinais. A equipe italiana — com Sebastiano Arman, Mattia Giovanella, Amos Mosaner, Alberto Pimpini e Joël Thierry Retornaz — enfrenta a líder da fase de grupos em um confronto que mistura precisão técnica e nervos de aço: um reflexo, em microcosmo, das rivalidades esportivas que atravessam a Europa central.
Em pista, Daniele Di Stefano, que já mostrou competência nos 1.000 m sendo sétimo, busca sua melhor leitura nos 1.500 m, distância em que tenta colocar a Itália de novo em destaque no patinagem de velocidade. À noite, Lara Naki Gutmann entra em cena no programa livre do patinagem artística feminino: apresentação esperada pela elegância, ainda que as chances de pódio sejam reduzidas diante de um campo tecnicamente mais forte.
Programa do dia (horários locais):
- 09:05-12:05 — Curling, fase a gironi uomini: Italia vs Svizzera (Cortina Curling Olympic Stadium)
- 09:10 — Combinata nordica: Samuel Costa, Aaron Kostner
- 09:50-10:20 — Esqui-alpinismo, sprint mulheres — baterias: Alba De Silvestro, Giulia Murada
- 10:30-11:00 — Esqui-alpinismo, sprint homens — baterias: Michele Boscacci
- 12:55-14:10 — Semifinais e finais do esqui-alpinismo sprint
- 14:00-14:55 — Combinata nordica, team sprint
- 16:30-18:05 — Patinagem de velocidade, 1.500 m homens: Daniele Di Stefano
- 19:00-23:10 — Patinagem artística, programa livre feminino: Lara Naki Gutmann
- Durante o dia — partidas de curling feminile com a Italia em ação
Mais que um diário de horários, este é um mapa de significados: o surgimento do esqui-alpinismo sinaliza a adaptabilidade dos Jogos a novas práticas; o confronto no curling traduz o peso das tradições helvéticas frente à ambição italiana; e as performances individuais no gelo revelam trajetórias pessoais que se entrelaçam com a memória esportiva nacional. Observar esses fatos com distância crítica é compreender como o esporte contemporâneo constrói narrativas coletivas — entre a montanha e a cidade, entre o passado e o que vem a seguir.






















