Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A primeira semana de Milano Cortina 2026 confirma um fenômeno que vai além do resultado esportivo: a capacidade dos Juegos Olímpicos de invadir espaços sociais, econômicos e simbólicos. Em pista e no gelo, a Itália sorriu cedo com uma leva de medalhas que reacendeu memórias coletivas e acendeu debates práticos sobre acesso, custos e hospitalidade.
Nos resultados, ficaram registrados nomes que já entram na narrativa desta edição: Francesca Lollobrigida, com dois ouros nos 3.000 e nos 5.000 metros; Federica Brignone, vitoriosa no Super-G; e a dobradinha masculina na descida livre, com Giovanni Franzoni (prata) e Dominik Paris (bronze). Esses êxitos, além de símbolos esportivos, funcionam como sinais de identidade regional e de uma capacidade profunda de formação atlética italiana.
Mas as histórias que circulam fora do pódio são igualmente reveladoras. Um exemplo anedótico veio de Bormio, onde Riccardo, 51 anos, contou que já viu a descida e a combinada e pretende retornar para o Super-G. Pago o preço da paixão: 220 euros por pessoa para a descida, e um pouco mais para o Super-G — valores que escancaram a tensão entre desejo de presenciar a competição e a questão do custo. A essa conta soma-se um ponto prático: o único canal seguro para comprar ingressos é a plataforma oficial de ticketing, disponível em web e app.
A novidade estrutural desta edição é a forma dispersa dos Jogos — ou, como tem sido chamado, os Jogos diffusi — que implicou mudanças no modelo de hospitalidade. A empresa On Location, identificada como Provedor Oficial e Exclusivo de hospitality para Milano Cortina 2026, organizou o maior programa oficial de hospitality já visto em Olimpíadas de inverno. Há opções de pacotes a partir de 176 euros na categoria ‘Winter Essentials’, até suítes privadas e excursões personalizadas. Entre os pacotes mais procurados estão hockey no gelo, patinação artística, cerimônia de abertura e o esqui alpino feminino. Os principais compradores vêm dos Estados Unidos, Itália, Suíça, Canadá e Alemanha.
Além da economia dos bilhetes e dos pacotes, a primeira semana deixou curiosidades tecnológicas e visuais. As imagens captadas por drones — que se tornaram protagonistas tanto quanto atletas — viralizam diariamente: saltos, descidas, manobras extremas e, naturalmente, quedas dramáticas alimentam redes sociais e moldam a percepção internacional dos jogos. São cartões-postais modernos que ajudam a expandir a audiência além dos estádios e montanhas.
Como analista, interessa-me observar que estes elementos — desempenho esportivo, circulação de público, preços e tecnologia — compõem uma única narrativa sobre o lugar do esporte na sociedade contemporânea. As Olimpíadas aqui não são apenas competição; são espetáculo, negócio e memória. E isso se reflete tanto na alegria das medalhas quanto nas decisões cotidianas de quem compra um ingresso e cruza fronteiras para, por algumas horas, pertencer à festa olímpica.
Em síntese, a primeira semana de Milano Cortina 2026 foi uma confirmação ambivalente: triunfo esportivo e desafio logístico, beleza e custo. A decisão de quem participa — seja nas arquibancadas, seja nas plataformas digitais — continuará a construir, nos próximos dias, o significado pleno destes Jogos.






















