ROMA, 07/02/2026 — O segmento de dança livre na Milano Ice Skating Arena ofereceu uma das noites mais técnicas e emotivas da prova por equipes em Milano Cortina. A dupla norte-americana formada por Madison Chock e Evan Bates, atuais campeões mundiais, confirmou a liderança com uma apresentação que combinou potência e controle: 133,23 pontos, marca que representa seu melhor da temporada.
Chock e Bates construíram a rotina sobre um arranjo dramático de Paint It Black, explorando variações de dinâmica e cores coreográficas que captaram a atenção tanto do público quanto dos jurados. Tecnicamente, destacaram-se pelos sollevamenti de nível quatro e por uma sequência de twizzles com sincronização muito sólida. Apesar de algumas avaliações em nível três nas sequências de passos e nos giros sobre um pé, a execução geral foi considerada superior ao lote, culminando em uma ovação em pé no fechamento.
O resultado da prova teve impacto direto na classificação por nações: os Estados Unidos retomaram a liderança do torneio por equipes, abrindo vantagem sobre os perseguidores. Logo atrás figura o Japão, enquanto a Itália, anfitriã e observada com expectativa, permanece firmemente na briga por um lugar no pódio graças à performance de Charlène Guignard e Marco Fabbri, que entregaram uma prova segura e artisticamente coerente.
Do ponto de vista mais amplo, a atuação de Chock e Bates reforça a narrativa de profundidade e consistência técnica da patinação norte-americana nas provas de dança, construída ao longo da última década por investimento em estrutura e formação de alto rendimento. Para a Itália, o desempenho de Guignard e Fabbri representa tanto a continuidade de uma escola artística europeia quanto a pressão de atuar em casa, diante de um público que transforma o patrocínio afetivo em capital simbólico durante os Jogos.
Faltam agora três segmentos para definir as medalhas por equipes: pares, simples feminino e simples masculino. Esses segmentos manterão a tensão competitiva até o fim e podem redesenhar a ordem das nações no placar final. Em um evento que conjuga espetáculo e técnica, a capacidade de manter a execução sob pressão será o fator decisivo.
Como repórter e analista, observo que a prova desta noite não foi apenas uma sequência de elementos técnicos bem realizados; foi, sobretudo, uma demonstração de narrativa competitiva — em que países com estruturas consolidadas mostram sua tranquilidade em momentos cruciais, enquanto anfitriões transformam a expectativa pública em recurso de afirmação esportiva e identitária.
Espresso Italia, por Otávio Marchesini — reportagem e análise.





















