Trento, 10 de fevereiro de 2026 – O técnico alemão da seleção italiana de esqui nórdico, Markus Cramer, anunciou nesta terça-feira os dois quartetos que representarão a Itália na disputa dos títulos dos 10 km em técnica livre, programados para quinta e sexta-feira em Val di Fiemme, palco tradicional do esqui nórdico italiano. A escolha chamou atenção pela ausência de nomes de peso: Federico Pellegrino e Elia Barp ficarão de fora das provas individuais, em uma opção interpretada como preservação para as staffette.
Na prova feminina, prevista para quinta-feira, a Itália entrará na pista com Caterina Ganz, Maria Gismondi, Martina Di Centa e Anna Comarella. Para a prova masculina, Cramer optou por confiar em Davide Graz, Martino Carollo, Simone Daprà e Simone Mocellini. A decisão formaliza uma leitura estratégica do treinador sobre prioridades e recursos físicos num calendário condensado de provas individuais e de equipe.
Não se trata apenas de uma escalação: é uma escolha que revela a tensão entre rendimento imediato e o valor simbólico das staffettes. Em contextos de Jogos, quando as medalhas por equipe representam também um triunfo coletivo — para clubes, regiões e para a própria narrativa nacional — a preservação de atletas-chave para corridas por equipes é uma prática recorrente e racional. Federico Pellegrino, figura de referência no circuito e em provas de velocidade, e Elia Barp, jovem com presença crescente, são ativos que o comitê técnico parece reservar para maximizar chances na composição das quartas.
Val di Fiemme, com sua história e pistas que costumam premiar atletas completos, será de novo uma vitrine: as distâncias de 10 km em técnica livre exigem equilíbrio entre potência aeróbica, economia de passada e leitura táctica de percurso. A escolha de Cramer sugere também uma aposta em corredores que vêm trabalhando resistência e consistência ao longo da temporada, atletas capazes de entregar percursos homogêneos e seguros — um perfil que favorece resultados coletivos ao longo do evento.
Mais do que uma lista de nomes, a convocação expõe a maneira como a Itália navega os dilemas contemporâneos do esporte: gestão de cargas, proteção de valores individuais e busca por glória coletiva. Nos próximos dias, a atenção estará dividida entre as performances individuais e o momento em que esses corredores serão chamados a vestir a casaca azul nas staffettes — onde se mede não só o talento, mas a efetiva capacidade de transformar história pessoal em triunfo nacional.
O legado de Val di Fiemme e a densidade simbólica dos Jogos de Milano Cortina mantêm o cenário promissor, mas exigente. A decisão de Cramer será testada na neve: se a estratégia se confirmar, a Itália poderá colher frutos nas competições por equipes — e escrever, mais uma vez, um capítulo significativo da sua tradição no esqui nórdico.






















