Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes – Espresso Italia
O presidente da República, Sergio Mattarella, prossegue seu compromisso institucional com os Giochi Olimpici Milano Cortina 2026 e estará em Cortina na quarta e na quinta-feira para assistir a algumas competições. A presença do chefe de Estado—a quem cabe a abertura oficial dos Jogos—é, por si só, um gesto de valor simbólico: reafirma a ligação entre o evento esportivo e a representação nacional.
Segundo nota oficial do CONI, na quinta-feira Mattarella visitará o Villaggio Olimpico, onde será recebido pelo presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, e pelo secretário-geral Carlo Mornati. Está previsto um almoço com as atletas e os atletas italianos, seguido de uma visita a Casa Italia, espaço que, além de alojamento institucional, funciona como polo de identidade e comunicação para a delegação nacional.
É importante ler esse deslocamento no contexto mais amplo que envolve grandes eventos esportivos. A presença do presidente em arenas alpinas como Cortina tem função dupla: por um lado, é um gesto de apoio moral aos competidores e de reconhecimento público do esforço das federações e das estruturas locais; por outro, sinaliza ao país e ao exterior a relevância política e cultural atribuída a uma Olimpíada realizada em território italiano. Estádios, vilas e pódios são também palcos de narrativa nacional.
Para atletas e equipes técnicas, visitas institucionais desse nível costumam ter efeito concreto na atmosfera do Village: reforçam a sensação de que seu desempenho tem visibilidade e importância, e lembram que o esporte persiste como instrumento de coesão social. A refeição oferecida pelo presidente, em particular, tende a ser interpretada como um momento de aproximação humana, mais do que cerimonial—um gesto que coloca rostos e histórias diante da atenção pública.
Cortina d’Ampezzo, cidade anfitriã de desafios técnicos e tradição alpina, volta a assumir papel central na narrativa italiana do esporte de inverno. A escolha do local não é apenas logística; trata-se de uma afirmação de identidade regional que dialoga com memórias olímpicas do passado e com a necessidade contemporânea de equilibrar desenvolvimento turístico, preservação ambiental e legado esportivo.
Enquanto o país acompanha as provas, a agenda presidencial em Cortina terá, portanto, dupla leitura: cobertura imediata das competições e construção de um símbolo. A vista ao Villaggio Olimpico e a parada em Casa Italia compõem uma cadeia de atos institucionais que ligam o palco esportivo ao Estado, numa época em que megaeventos exigem atenção tanto à performance atlética quanto à governança e ao capital simbólico que eles mobilizam.
Do ponto de vista jornalístico, a presença de Mattarella suscita interesse não apenas pelo protocolo, mas pela forma como autoridades e instituições se relacionam com atletas, regiões anfitriãs e com a opinião pública. Em tempos de comunicação instantânea, cada gesto é interpretado e comentado; por isso, a sobriedade do ato—um almoço, uma visita institucional—pode ter repercussões que vão além do momento.
Em suma: a agenda do presidente em Cortina é parte do próprio enredo dos Jogos, um capítulo em que política, cultura e esporte se encontram. A cobertura deve olhar tanto para as imagens da competição quanto para o que estas visitas revelam sobre prioridade pública, memória coletiva e projeto nacional em torno do esporte.
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