Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Na véspera da abertura dos Jogos Olímpicos, o Presidente da República, Sergio Mattarella, participou do cerimonial de inauguração da Casa Italia na Triennale di Milano, descrevendo o espaço não apenas como uma vitrine, mas como uma verdadeira porta de ingresso para o país. Em palavras medidas e institucionais, Mattarella afirmou que, quando os Jogos ocorrem fora da Itália, Casa Italia funciona como uma janela que representa a nação; nesta ocasião, porém, ela assume um significado acrescido: o de acolher e sintetizar a identidade italiana no campo da cultura, do estilo de vida e do caráter.
“Estamos a poucas horas da abertura dos jogos; a emoção cresce”, disse o Chefe de Estado antes do corte da fita. A presença de Mattarella, que no dia anterior visitou o vilarejo olímpico e almoçou com atletas — gesto que o próprio Coni ressaltou como demonstração de proximidade — foi saudada por dirigentes e por quem acompanha o esporte como política pública: um sinal de unidade nacional e de reconhecimento do papel social do esporte.
O presidente do Coni, Luciano Buonfiglio, destacou o caráter inédito do momento: é a primeira vez na história que um Presidente da República participa da abertura da Casa Italia em solo italiano. Buonfiglio recordou ainda a origem do conceito de ‘hospitality house’ no âmbito olímpico, atribuindo ao Coni a iniciativa pioneira nos Jogos de Los Angeles, e sublinhou o papel do espaço como plataforma para exibir a excelência do Made in Italy dentro de um cenário que combina esporte, indústria e inovação.
A cerimônia na Triennale marcou também o lançamento do projeto Musa, definido por Buonfiglio como uma iniciativa simbólica num local icônico. Ao citar a presença de “capitães da indústria” e gestores de empresas que apoiam o esporte italiano, o presidente do Coni fez um gesto retórico e substancial: a colocação do esporte no centro de uma narrativa mais ampla sobre identidade nacional, economia e diplomacia cultural.
É necessário ler esse episódio além da formalidade do protocolo. Casa Italia, em sua versão milanesa, não é somente um espaço de hospitalidade para atletas e delegações; é um dispositivo de comunicação que traduz valores — tradição, eficiência, criatividade — em uma experiência sensorial e simbólica. Ao situar a casa na Triennale, os organizadores articulam esporte e cultura de projeto, fazendo da arquitetura e do design parte da história que a Itália quer contar ao mundo durante os jogos.
Mattarella dirigiu aos atletas e às suas equipes o “augurio più intenso” de uma competição serena e profícua. Mais que uma bênção formal, tratou-se de um reconhecimento público do valor social do esporte e de sua capacidade de projetar a imagem de um país. Em tempos em que a política e a economia buscam narrativas de coesão, a materialidade de Casa Italia — suas exposições, seus patrocinadores, seu programa — se apresenta como um mapa onde se lê não só o presente esportivo, mas também as ambições culturais e industriais da Itália.
Ao encerrar, Buonfiglio lembrou a ambição de mostrar o país “no seu melhor aspecto”: esportivo, industrial e econômico. Foi uma declaração de intenção que encontra em Mattarella a solenidade institucional necessária para transformar intenção em gesto público. Assim, a Casa Italia abre suas portas não apenas aos visitantes, mas ao próprio projeto de representação nacional que acompanhará os próximos dias de competição.






















