Beppe Marotta, presidente da Inter, assumiu posição firme ao comentar o episódio que marcou o último dérbi d’Italia: a expulsão de Kalulu por um suposto incidente com Bastoni e a avalanche de críticas que se abateu sobre o defensor nerazzurro. Em declaração à chegada à Lega Serie A, Marotta qualificou como excessiva a reação midiática e pediu distinção entre erro juvenil e condenação pública.
“A nossa posição é simples: houve uma tomada de posição mediática desmedida sobre o sucedido”, afirmou o dirigente. Na sua defesa, Marotta lembrou o currículo do jogador: Bastoni tem 26 anos, mais de 300 partidas na carreira e “nunca foi protagonista de factos clamorosos”. Ainda assim, prosseguiu, alguns chegaram a duvidar da sua presença na seleção nacional — um exagero, na sua avaliação.
O presidente interista não minimizou o erro: “É certamente um erro de um jovem, mas quem não errou? Houve um braço de Kalulu e o apito do árbitro”, disse, reconhecendo que a decisão foi incorreta. Marotta recordou ainda episódios passados, realçando que a história do campeonato recente também contém decisões contestadas contra a Inter: “Perdemos o scudetto por um ponto e, em Inter–Roma, foi reconhecido um erro a nosso favor. Nós aceitamos as decisões.”
O tom das observações alargou-se para uma reflexão sobre o momento do futebol italiano. Segundo Marotta, existe um “mal-estar” que exige responsabilidades partilhadas por árbitros, clubes e Federação. A sua proposta foi clara: diálogo e prevenção em vez de punição desmedida. “A repressão não faz parte do meu bagagém. É preciso confronto, e isso falta. Há até uma certa ignorância regulamentar dentro da associação de jogadores”, criticou.
Marotta confrontou diretamente intervenções externas ao episódio. Sobre as palavras do escritor Saviano, manifestou desagrado e relativizou a importância do interlocutor, assegurando que as declarações serão analisadas pelos advogados do clube. Já a menção a Giorgio Chiellini foi tratada com cortesia: “Saudar é o mínimo; é um dirigente jovem e inexperiente. Não me permito aconselhá‑lo.”
Para ilustrar o contexto das tensões, Marotta evocou um caso antigo: o penalty assinalado a favor da Juventus contra a Inter em 2021, pela simulação atribuída a Cuadrado e dirigida por Calvarese. Na visão do dirigente, decisões daquele tipo têm efeitos econômicos e desportivos relevantes — a qualificação para a Champions pode significar dezenas de milhões de euros para um clube, e isso também explica parte da acuidade das reações.
Ao ler as palavras de Marotta, cabe observar a tensão estrutural que atravessa o futebol italiano: rivalidade, interesses econômicos e mediáticos, e uma cultura disciplinar que, por vezes, privilegia a recriminação pública em detrimento do esclarecimento e da formação. A defesa de Bastoni não é apenas uma reação corporativa; é também um pedido de equilíbrio institucional num momento em que o esporte revela, com nitidez, as suas contradições contemporâneas.
Data do depoimento: 16 de fevereiro de 2026.
Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia. Análise sobre as repercussões sociais e institucionais do episódio no futebol italiano.






















