Uma análise sobre os terminais europeus que mais geram receita para as companhias low cost revela uma geografia de poder que combina turismo de massa, base de companhias e mercados metropolitanos extensos. Com base em estimativas de 2025 fornecidas por plataformas especializadas e considerando os ingressos gerados por Ryanair, easyJet, Wizz Air, Vueling e Transavia (excluindo incentivos das concessionárias aeroportuárias), a Barcelona-El Prat surge como o principal gerador de receitas: €3,2 bilhões em receita das low cost com passageiros partindo do aeroporto ao longo do ano.
O peso de Barcelona é explicado por dois fatores conjugados: é base operacional da Vueling — integrante do grupo IAG — e combina um apelo jovem e universitário (Erasmus) com um fluxo turístico de alto volume durante o verão. Esse duplo caráter transforma o aeroporto em um polo lucrativo para bilhetes e serviços acessórios vendidos pelas companhias de baixo custo.
No Reino Unido, a área de Londres confirma sua centralidade: somando Gatwick, Stansted, Luton e Southend (além de parte de Heathrow), o conjunto rende às low cost €6,5 bilhões — exclui-se London City, onde essas operadoras praticamente não atuam. Gatwick, em particular, aproximou-se de Barcelona, com €3,1 bilhões, beneficiando-se da forte presença da easyJet e de um mercado consumidor disposto a pagar acima da média europeia.
Amsterdam e Stansted dividem o terceiro posto com aproximadamente €1,8 bilhões cada. A vocação vacancista impulsiona aeroportos como Málaga (€1,7 bilhões), porta de entrada para a Costa del Sol, muito procurada por turistas britânicos. Manchester, Luton e o aeroporto de Milão–Malpensa aparecem empatados em cerca de €1,6 bilhões. Na sequência estão Alicante (€1,5 bilhões) e Roma-Fiumicino (€1,4 bilhões).
Entre os aeroportos italianos fora do top ten, destacam-se Bergamo-Orio al Serio (€1,1 bilhões), Nápoles (acima de €800 milhões) e Catânia (mais de €700 milhões). Bolonha registra cerca de €550 milhões, Palermo €510 milhões, Bari €480 milhões e Pisa €450 milhões. Vale lembrar que esses valores consideram apenas o universo das low cost mencionadas e não incorporam as receitas de companhias tradicionais, charter e outras fontes.
O desenho que emerge dessa fotografia econômica é duplo: aeroportos turísticos de sol e praia e hubs metropolitanos com grande massa de viajantes geram receitas substanciais para as low cost. Enquanto Barcelona capitaliza sobre um perfil misto — base corporativa de uma low cost e apelo estudantil/turístico —, a região de Londres explora escala demográfica e poder aquisitivo, convertendo tráfego em desempenho financeiro.
Para administradores aeroportuários e planejadores urbanos, o dado é claro: as companhias low cost não apenas reconfiguram fluxos de mobilidade, mas influenciam investimentos em infraestrutura, modelos tarifários e estratégias de marketing territorial. A disputa por incentivos e slots é, portanto, menos sobre tarifas isoladas e mais sobre ecossistemas — hotéis, turismo receptivo, mobilidade regional — que traduzem passageiros em receita.
Como observador atento das relações entre esporte, turismo e identidade regional, enxergo nesse mapa financeiro das low cost um espelho das desigualdades e oportunidades europeias: mercados consolidados e destinos turísticos maduros continuam a atrair renda significativa, enquanto cidades médias tentam, através de políticas e posicionamento, subir na cadeia de valor do tráfego aéreo.






















