Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A veterana norte‑americana Lindsey Vonn, 41 anos, protagonizou uma queda assustadora durante a prova de descida feminina dos Jogos Olímpicos Milano‑Cortina 2026 neste domingo, 8 de fevereiro. A queda ocorreu nos primeiros segundos da prova: com o dorsal número 13, a atleta perdeu o equilíbrio cerca de 12 segundos após a largada, entrou em rotação no primeiro salto e caiu de forma violenta.
O impacto foi agravado pelo fato de os esquis não terem se soltado, pivotando no solo e expondo as articulações a uma força de torção que, na avaliação imediata, apresenta “potencial para consequências graves” principalmente para os joelhos. O episódio revive a fragilidade inerente ao esqui de velocidade: mesmo atletas com carreira construída sobre o risco, como Vonn, não estão imunes às consequências dramáticas de um único erro em alta velocidade.
A trajetória de Lindsey Vonn em Cortina d’Ampezzo tem sido histórica — são 12 vitórias na pista de Cortina ao longo da carreira — e isso adiciona um componente simbólico ao acidente. Vonn entrou na prova não obstante ter chegado ao evento carregando uma lesão prévia: há poucos dias, em Crans‑Montana, ela sofreu uma lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo, mas nas provas cronometradas anteriores aos Jogos havia demonstrado performance competitiva, justificando a tentativa de participar das Olimpíadas.
Após a queda, a esquiadora gritou de dor e permaneceu por tempo prolongado deitada na pista. A equipe médica atuou rapidamente e a operação de resgate culminou com a chegada de um helicóptero, que procedeu ao transporte aeromédico da atleta. Imagens e relatos iniciais apontam para uma evacuação coordenada, medida que sublinha tanto a gravidade do acidente quanto a logística de resposta presente em eventos de grande porte como os Jogos Olímpicos.
Em declaração à NBC, a irmã de Vonn, Karin Kildow, sintetizou a sensação contida da família e da equipe: “Lindsey deu tudo para disputar estas Olimpíadas. A queda é a última coisa que queríamos ver. Quando começa a aparecer a maca, não é um bom sinal”. A fala traduz a tensão entre o desejo de excelência e os limites do corpo — um dilema que acompanha atletas veteranos que decidiram estender carreiras em busca de capítulos finais significativos.
Do ponto de vista esportivo e institucional, o episódio impõe perguntas imediatas: sobre a gestão de retorno de atletas com lesões recentes, sobre os protocolos de segurança em pistas clássicas e sobre o papel das decisões individuais em contextos coletivos como a delegação olímpica. Para a história do esqui, e para a memória de Cortina como palco, a imagem da queda de Vonn será analisada sob múltiplas lentes — médica, ética e simbólica.
À medida que as informações médicas oficiais forem divulgadas, será possível quantificar a extensão da lesão e entender as consequências para a carreira de uma das mais representativas esquiadoras da era moderna. Por ora, resta aguardar os comunicados da equipe médica e da delegação norte‑americana, e reconhecer que o episódio marca, mais uma vez, a dureza implacável do esqui de velocidade.





















