Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
Os exames realizados no centro médico Humanitas, em Rozzano, sobre o estado físico de Lautaro Martínez trouxeram um alívio cauteloso para a Inter: não há lesão estrutural, mas foi diagnosticado um risentimento muscular no soleo do polpaccio esquerdo. O clube informou que a condição do atacante será reavaliada na próxima semana.
Na prática, a confirmação do problema significa ausência certa em quatro compromissos consecutivos: o jogo contra o Lecce (21 de fevereiro), o confronto de volta com o Bodø/Glimt pela Champions (24 de fevereiro), a partida diante do Genoa (28 de fevereiro) e o primeiro jogo da semifinal da Coppa Italia contra o Como (3 de março). Ainda assim, a inexistência de uma lesão grave permite que a equipe técnica, liderada por Cristian Chivu, mantenha uma janela de esperança para o clássico contra o Milan, embora o derby continue em risco.
O episódio remete ao momento em que o capitão saiu dolorido do gramado durante a derrota por 3-1 na Noruega, frente ao Bodø/Glimt. As imagens de Lautaro mancando no desembarque em Milão alarmaram desde então. Naquele instante, o tom do clube — expresso por Chivu — foi de apreensão: “Lautaro l’abbiamo perso, starà fuori per un po’ perché si è fatto male, l’infortunio è serio”, disse o treinador logo após a partida. A evolução clínica, contudo, atenua o pessimismo inicial.
Do ponto de vista esportivo e institucional, a ausência do camisa 10 adquire dimensão além do campo. A Inter chega a este trecho decisivo da temporada com sete pontos de vantagem sobre o Milan no Campeonato, envolve-se em uma eliminatória continental e encara uma Coppa Italia em que precisa administrar energia e elenco. Perder Lautaro implica não apenas ajustar esquemas táticos, mas também lidar com um símbolo da equipe cuja presença influencia adversários, torcida e a própria narrativa do clube.
Chivu e sua equipe médica vão monitorar a resposta ao tratamento e à fisioterapia; a reavaliação agendada determinará se o atacante pode ser integrado em treinos leves ou se seguirá em repouso relativo até a recuperação completa. Para um clube que projeta objetivos em múltiplas frentes, a gestão dessa conjuntura testará profundidade de elenco e competência estratégica.
Enquanto isso, resta à Inter calibrar prioridades: preservar o atleta para decisões futuras, sem sacrificar rendimento imediato. Em futebol de alto nível, a leitura entre risco e oportunidade torna-se tão decisiva quanto o próprio resultado — e a situação de Lautaro é, neste sentido, um microcosmo das escolhas que definem uma temporada.
Data do relatório: 20 de fevereiro de 2026.





















