Milano Cortina viveu neste domingo mais um capítulo do domínio nórdico nas provas de esqui de fundo. Na pista consagrada de Val di Fiemme, o norueguês Johannes Klaebo confirmou o favoritismo e venceu a prova masculina de skiathlon (10 km em técnica clássica com troca de esquis para a parte em técnica livre), somando o seu sexto ouro em Jogos Olímpicos — o primeiro desta edição e mais um passo rumo ao recorde de oito.
A prova foi marcada por uma disputa tática inicial, com grupos compactos e vários atletas se revezando na liderança. Klaebo permaneceu sempre entre os primeiros, medindo forças e controlando o esforço até o momento certo: a meio quilômetro do fim, o norueguês desferiu um ataque seco que abriu um vazio imediato na neve e definiu a corrida a seu favor.
Na luta pela segunda colocação, o francês Mathis Desloges mostrou sangue frio e velocidade de finalização, vencendo a volata pela prata diante do também norueguês Martin Nyenget. Fechou o grupo de ponta o jovem russo neutral Saveliy Korostelev, que terminou logo atrás, em quarto lugar.
Do ponto de vista italiano, a leitura da prova traz elementos positivos: Davide Graz realizou uma exibição consistente e inteligente, alcançando o 8º lugar a 49 segundos do vencedor e assumindo a condição de melhor dos azzurri. Mais atrás, completaram a participação nacional Elia Barp (17º a 1:11.5), Federico Pellegrino (20º a 1:51.5) e Martino Carollo (23º a 2:16.5). Esses resultados ilustram uma geração italiana competitiva, ainda em busca de consistência entre os líderes do circuito.
O triunfo de Klaebo não é apenas mais uma medalha em sua estante: é um pedaço de história em construção. Em um esporte onde a supremacia escandinava se apoia em cultura, infraestrutura e programas de formação que atravessam gerações, alcançar o sexto ouro é reafirmar uma trajetória dominada por escolhas coletivas — treinamentos, rotinas e uma relação social com a neve que produz campeões com regularidade.
Do ponto de vista técnico, o skiathlon exige versatilidade: é preciso dominar tanto a técnica clássica quanto a livre e gerir a transição com precisão. A vitória de Klaebo destacou essa completa habilidade, além de uma leitura tática aguçada, que transformou um ataque final em vitória segura.
Val di Fiemme, palco histórico de muitos eventos do esqui nórdico, volta a confirmar seu papel como provador de campeões e lugar de decisões que reverberam para além do pódio. Para a Itália, o desafio segue sendo transformar performances como a de Graz em regulares aparições entre os primeiros, enquanto o cenário internacional observa a ambição de Klaebo por mais recordes.
Nos Jogos de Milano Cortina, cada vitória carrega também um significado simbólico: o esporte como espelho das instituições e das comunidades que o sustentam. Nesta manhã em Fiemme, assistimos a uma síntese disso — técnica, estratégia e história — selada pelo sexto ouro olímpico de Johannes Klaebo.





















