BOLZANO, 14 de fevereiro de 2026 — Em uma prova que revelou mais do que ritmo e pontaria, a norueguesa Maren Kirkeeide venceu a prova sprint de 7,5 km do biatlo nos Jogos de Milano Cortina, disputada em Anterselva. Com o tempo de 20:40.8, Kirkeeide impôs consistência nas pernas e calma no estande, atributos que diferenciam um vencedor em pistas onde tradição e pressão se cruzam.
A prata ficou com a francesa Oceane Michelon, a 3,8 segundos da líder, enquanto o bronze foi para outra francesa, Lou Jeanmonnot, que terminou a 23,7 segundos após cometer um erro no polígono. A melhor entre as italianas foi Lisa Vittozzi, que fechou em quinto lugar, a 40,6 segundos de Kirkeeide, notavelmente sem erros de tiro.
O resultado confirma — com nuances — a persistente força da tradição nórdica no biatlo: atletas de países com redes de formação e circuitos locais robustos chegam às grandes competições com rotinas competitivas e maturidade tática. Ainda assim, a presença dupla da França no pódio demonstra a recente afirmação do país na disciplina, fruto de investimento em centros técnicos e em formação de base.
Anterselva, no coração do Alto Adige, é mais do que um palco esportivo: é um lugar onde o biatlo integra práticas comunitárias, memória local e uma relação com a montanha que determina identidades. Em Jogos como os de Milano Cortina, essas paisagens tornam-se também arenas simbólicas, onde vitórias e desempenhos reverberam para além do cronômetro — para torcidas, federações e políticas esportivas.
Do ponto de vista técnico, a prova de sprint exige equilíbrio entre velocidade pura e precisão no tiro. Kirkeeide soube dosar ritmos; Jeanmonnot, apesar da medalha de bronze, pagou o preço de um erro que custou segundos preciosos. Vittozzi, por sua vez, entregou uma performance limpa no estande, lembrando a tradição italiana de atiradoras capazes de neutralizar diferenças físicas com técnica refinada.
Mais do que resultados, a competição em Anterselva alimenta um debate sobre o futuro do biatlo europeu: onde investir estruturas, como proteger trajetórias de jovens atletas e de que modo os grandes eventos podem reforçar, em vez de diluir, laços regionais com o esporte. A manhã desta sábado trouxe a resposta esportiva — a tarde e os próximos dias trarão políticas e perguntas.
Assino esta reportagem com a convicção de que cada prova, especialmente em sedes tradicionais como Anterselva, conta uma história maior do que o pódio: fala de federações, comunidades e memórias que moldam o biatlo contemporâneo.
Otávio Marchesini
Repórter de Esportes — Espresso Italia






















