Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma mensagem que misturou gratidão e ironia, Karin Kildow, irmã da campeã norte-americana Lindsey Vonn, elogiou publicamente o corpo clínico do hospital de Treviso após os cuidados prestados à atleta. O agradecimento foi postado no Instagram na terça-feira, 20 de fevereiro de 2026, e acompanhou um vídeo com a trilha de This Will Be an Everlasting Love, de Natalie Cole.
A Vonn foi submetida a quatro intervenções cirúrgicas no Ca’ Foncello depois da queda sofrida na prova de descida livre em Olympia delle Tofane — mesma corrida em que Sofia Goggia conquistou a medalha de bronze. Segundo a família, a esquiadora já retornou aos Estados Unidos, mas deixou na Itália um reconhecimento público pela assistência recebida.
No post, Karin Kildow disse, em tom bem-humorado: “Apaguem os aplicativos de encontros: vão aos pronto-socorros italianos”. A publicação, direcionada aos mais de 70 mil seguidores de sua conta, foi tanto um agradecimento quanto um comentário sobre a humanidade e profissionalismo do pessoal médico que acompanhou a recuperação imediata de Lindsey Vonn.
Por trás da anedota, porém, há um recado mais sério sobre como o esporte de alto rendimento convive com a medicina. Uma queda em velocidade máxima expõe fragilidades físicas e também revela a capacidade de resposta das estruturas de emergência locais. O atendimento prestado em Treviso confirma uma tradição italiana de cuidados hospitalares orientados para situações críticas — um componente muitas vezes negligenciado nas narrativas esportivas, mas central para preservar carreiras e vidas.
Enquanto as manchetes tendem a focar em medalhas e retornos, o caso de Lindsey Vonn evidencia outro aspecto: os hospitais se transformam, por instantes, em arenas sociais. Médicos e enfermeiros não apenas tratam fraturas e traumas; eles entram na memória pública como personagens de um enredo que mistura medo, alívio e confiança coletiva. A postagem de Karin Kildow funcionou como reconhecimento simbólico desse papel.
Há ainda um elemento cultural nítido no gesto. A Itália, conhecida por sua tradição em medicina hospitalar e por um sistema de emergência atento, voltou a receber elogios que transcendem o esporte. A recomendação bem-humorada para trocar aplicativos de paquera por visitas aos pronto-socorros apresenta, de forma leve, uma ideia de sociabilidade inesperada: lugares de crise também podem ser cenários de empatia e de laços humanos.
Do ponto de vista esportivo, o episódio lembra que as provas de esqui alpino continuam a ser uma disciplina onde o risco e a técnica convivem em estreito equilíbrio. A presença de figuras como Sofia Goggia no pódio reforça a narrativa de resiliência do circuito, mas reforça igualmente a necessidade de sistemas médicos prontos para agir com rapidez e competência.
Se alguém, afinal, seguir o conselho irônico de Karin Kildow, será uma decisão pessoal — o que fica claro é que, por alguns dias, o Ca’ Foncello e a cidade de Treviso foram elogiados em nível internacional não apenas pelo que salvaram, mas pelo modo humano como fizeram isso.
Dados e contexto: Lindsey Vonn sofreu a queda em Olympia delle Tofane; passou por quatro cirurgias em Treviso e voltou aos Estados Unidos alguns dias depois. Post de agradecimento publicado por Karin Kildow em 20/02/2026, com trilha sonora de Natalie Cole.






















