Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
No Speed Skating Stadium de Milão, a velocidade encontrou uma página significativa da memória olímpica: a neerlandesa Jutta Leerdam subiu ao degrau mais alto do pódio nos 1000 metros e estabeleceu novo recorde olímpico com a marca de 1’12″31. A vitória ocorreu em uma prova disputada até a última pista, na qual Leerdam competiu na última dupla da startlist e confirmou o favoritismo em cena de alto nível.
O resultado consagrou a campeã, que terminou à frente da companheira de equipe Femke Kok e da japonesa Miho Takagi. Mais do que uma medalha, o tempo alcançado por Leerdam entra na história dos Jogos Olímpicos Milano Cortina 2026 e reforça a tradição neerlandesa no patinagem de velocidade — uma sequência de performances que lançam luz sobre a capacidade estrutural e a formação esportiva na Holanda, onde o esporte do gelo é também componente identitário.
Nos dias que antecederam a final, Leerdam esteve no centro de debates sobre sua postura fora das pistas, alvo de comentários por um estilo de vida que alguns colegas descreveram como ostentoso. Nada disso, porém, diminuiu a eficácia de sua performance dentro da pista: a atleta, já conhecida pelas multidões nas redes sociais, converteu popularidade em resultado concreto quando importou velocidade e precisão ao evento mais importante do calendário esportivo.
O episódio ganhou contornos emocionais nas arquibancadas: a família da patinadora e o namorado, o pugilista e influenciador Jake Paul, acompanharam a prova e foram às lágrimas ao ver Leerdam erguer o ouro. A imagem do companheiro emocionado materializa outro aspecto contemporâneo do esporte — a interseção entre mídia, imagem pública e desempenho atlético — sem, contudo, substituir a análise técnica da conquista.
Do ponto de vista esportivo, a marca de 1’12″31 é um indicativo da evolução tática e tecnológica no patinagem de velocidade: equipamentos, superfícies e preparação influenciam margens de segundos que, aqui, decidiram uma medalha olímpica. Culturalmente, a vitória reforça a narrativa de que atletas modernos transitam entre performance e visibilidade, exigindo que federações e clubes equilibrem formação, imagem e responsabilidade.
Leerdam oferece ao público algo que transcende o pódio: um retrato das tensões contemporâneas do esporte — entre tradição e espetáculo, entre ruptura e continuidade — e a confirmação de que, quando a técnica encontra a determinação, o resultado é um marco que permanece na memória coletiva.






















