Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em um gesto que une memória esportiva e mercado de colecionáveis, Jutta Leerdam, estrela neerlandesa da patinação de velocidade, colocou à venda o macacão laranja usado nas Olimpíadas de Milano Cortina. O equipamento, autografado pela atleta, acompanha duas medalhas conquistadas nos Jogos: o ouro nos 1000 metros e a prata nos 500 metros. A imagem do evento — com as lágrimas do namorado, Jake Paul, na arquibancada — permaneceu como um dos ícones do torneio e agora segue a vida pública em formato de objeto de colecionador.
Segundo a casa de leilões responsável, os lances não demoraram a aparecer. Já foram registradas dezenas de ofertas, e o valor ultrapassou a marca de €8.000. O leilão está programado para se encerrar no sábado, 28 de fevereiro de 2026, data que pode impulsionar ainda mais a disputa entre interessados, por efeito direto do calendário pós-Olímpico.
Mais do que um objeto pessoal, o macacão funciona como um fragmento de narrativa: simboliza a tradição neerlandesa na patinação de velocidade e encapsula a visibilidade ampliada que atletas têm hoje, tanto dentro quanto fora da pista. A cor laranja, por sua vez, carrega conotações nacionais que transcendem o esporte — é um emblema de identidade coletiva que os torcedores reconhecem e valorizam.
O fenômeno não é isolado. Nos grandes eventos internacionais, é crescente a transformação de uniformes e equipamentos em peças de mercado, impulsionada pela combinação entre afeição de torcedores, interesse de investidores e estratégias pessoais dos atletas para gerir sua própria marca. No entanto, esse movimento merece análise atenta: questiona-se até que ponto a memória esportiva deve ser tratada como mercadoria e quais atores — clubes, federações, atletas — detêm legitimidade para operar essa transição.
Para a trajetória de Jutta Leerdam, o leilão acrescenta um capítulo comercial a uma temporada marcada pela excelência competitiva. As medalhas de Milano Cortina reforçam seu lugar entre as principais referências da patinação contemporânea; o macacão, agora em disputa pública, será um artefato que preservará — e possivelmente ampliará — a memória desse momento.
Resta observar quem arrematará a peça e com que destino: museu, coleção privada, ou exposição pública. O resultado do leilão, além de indicar o valor monetário atribuído a um símbolo esportivo, oferecerá pistas sobre o mercado de memorabilia olímpica e sobre as narrativas que os torcedores escolhem conservar.
Enquanto isso, o leilão segue ativo até o dia 28 de fevereiro de 2026, e a expectativa é de que os lances continuem subindo à medida que a data final se aproxima — efeito direto da aura emocional que as Olimpíadas imprimem aos objetos que ajudaram a contar suas histórias.






















