Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes – Espresso Italia
Aos olhos da história esportiva italiana, estas Olimpíadas de Milano Cortina já apontam como um ponto de inflexão: até o momento a Itália soma 26 pódios — nove ouros, cinco pratas e 12 bronzes — e superou com folga o marco de 20 medalhas alcançado em Lillehammer 1994. O Comitato Olimpico Nazionale Italiano tem uma meta clara: tocar a marca simbólica das 30 medalhas antes do encerramento, no domingo, 22 de fevereiro, na Arena de Verona. Do ponto de vista competitivo, o objetivo é plausível; do ponto de vista cultural, reverbera como afirmação de um sistema esportivo que se renovou.
O caminho para acrescentar mais pódios envolve uma conjunção de especialidades onde os azzurri ainda têm cartas para jogar. No primeiro plano está o ski cross, com expectativas na prova feminina em torno de Jole Galli e no masculino com Simone Deromedis, quinto em Pequim 2022, campeão mundial em 2023 e vice-líder da Copa do Mundo geral em 2025. São atletas que representam a mistura entre técnica e coragem, e cuja vitória teria também valor simbólico — a projeção de regiões periféricas do esporte duro para a ribalta olímpica.
Não menos importantes são as provas que ainda restam no biatlo, disputadas em Anterselva: duas mass starts que mantêm acesa a possibilidade de pódios. Os olhos estarão sobre Tommaso Giacomel e sobre as já medalhistas Lisa Vittozzi (que já subiu ao lugar mais alto) e Dorothea Wierer. O biatlo italiano tem se mostrado resiliente; as mass starts exigem controle emocional e gestão da fadiga — atributos cultivados em anos de convivência com ambientes extremos.
No short track, a lenda Arianna Fontana busca mais uma página em sua trajetória: a 15ª medalha pessoal é a ambição que chega junto dos 1.500 m, programados para 20 de fevereiro. A equipe masculina disputa a final do revezamento dos 5.000 m contra Canadá, Coreia do Sul e Holanda — prova em que se deposita grande esperança de redenção, com atenção especial a Pietro Sighel.
A patinação de velocidade também tem frentes abertas. Já vieram três ouros (entre eles o desempenho coletivo liderado por Francesca Lollobrigida) e um bronze com Riccardo Lorello. Há duas mass starts no sábado, 21 de fevereiro: Lollobrigida volta aos 1.500 m e à mass start feminina, enquanto no masculino o foco pode recair em Andrea Giovannini.
Além desses cenários, há oportunidade em modalidades mais recentes neste ciclo, como o esqui-alpinismo, e na prova de quatro do bob. A soma de possibilidades, combinada com um espírito coletivo evidente, sustenta a convicção do Comitato: a meta das 30 medalhas é alcançável.
Mais do que números, o que está em jogo nesta reta final é a leitura do esporte italiano contemporâneo: capacidade de formar atletas em diversas geografias, investimento em especialidades emergentes e a construção de narrativas que conectam territórios. As próximas competições dirão se os resultados confirmarão uma tendência — e como esses resultados serão incorporados à memória coletiva do país.
Atualizado em 19 de fevereiro de 2026






















