Itália confirma supremacia tática e conquista o ouro na perseguição por equipes
Com a calma de um grande estrategista no tabuleiro, a seleção italiana formada por Davide Ghiotto, Andrea Giovannini e Michele Malfatti assegurou a medalha de ouro na perseguição por equipes da patinação de velocidade em Milano‑Cortina 2026, superando os Estados Unidos na final. O triunfo chega como um movimento decisivo na tectônica de poder dos jogos, consolidando a Itália entre as potências da modalidade.
Os italianos haviam chegado à decisão após uma semifinal em que derrotaram a Holanda com o tempo de 3:38.88, performance que representou uma melhora em relação às baterias anteriores e lhes garantiu uma vantagem de 1,79 segundos sobre os rivais. Na final, apesar de um início em que se viram em desvantagem — chegando a perseguir os norte‑americanos por seis décimos — a equipe italiana executou a manobra tática perfeita, imprimindo maior ritmo na segunda metade da prova e completando a distância em 3:39.20.
O resultado confirma uma capacidade de recuperação e leitura de prova que remete a partidas de xadrez em alto nível: ceder terreno no início para controlar o ritmo e aplicar o ataque decisivo quando o adversário revela sua fraqueza. O time dos EUA ficou com a prata, registrando 3:43.71, enquanto o bronze coube à China, que derrotou a Holanda na disputa pelo terceiro lugar.
Esta vitória representa a 24ª medalha da delegação italiana em Milano‑Cortina 2026 e o nono ouro para o país nestes Jogos. Historicamente, trata‑se de um bis significativo: a Itália volta a subir no lugar mais alto do pódio da perseguição por equipes após o ouro conquistado em 2006 por Enrico Fabris, Ippolito Sanfratello, Matteo Anesi e Stefano Donagrandi. É um eco convincente no grande salão da tradição esportiva italiana.
Do ponto de vista estratégico, o feito de Ghiotto, Giovannini e Malfatti não é apenas uma vitória atlética; é um reforço dos alicerces da presença italiana na patinação de velocidade. Em uma disciplina que combina resistência, técnica e cooperação milimétrica entre os membros da equipe, a capacidade de alternar ritmos com disciplina tática é tão decisiva quanto a potência física individual.
Para os analistas de relações de poder esportivas, esta medalha ao mesmo tempo reescreve posições no quadro geral dos Jogos e atualiza um mapa de influência invisível, onde investimentos, programas de formação e tradição técnica definem fronteiras que, embora sem traçados oficiais, determinam hegemonias desportivas.
Em suma, a Itália não apenas conquistou mais um ouro; desenhou um movimento preciso no tabuleiro olímpico — um gesto que reforça sua colocação e envia uma mensagem clara aos concorrentes: a arquitetura do sucesso é construída com estratégia, continuidade e execução no momento certo.






















