Ita Airways, a transportadora italiana controlada pelo Ministério da Economia em parceria com a Lufthansa, acelera sua aposta nos voos intercontinentais — o segmento de maior margem da aviação comercial — e estuda aumentar a frota de aeronaves de corredor duplo. Fontes próximas às negociações consultadas pelo Corriere dell Sera indicam que a empresa pretende incorporar mais 4 a 5 aviões desse tipo até 2030, além dos já previstos no plano industrial.
Num mercado em que as linhas de produção de jatos permanecem lotadas por anos, a decisão de reforçar a longa distância exige alternativas logísticas e financeiras. A administração liderada pelo CEO Joerg Eberhart avalia soluções que vão desde novos pedidos à Airbus (modelos citados nos bastidores: A330neo e A350), até a aquisição via companhias de leasing ou a manutenção por mais tempo das aeronaves mais antigas.
Atualmente, a companhia conta com 23 aeronaves de corredor duplo e aguarda a chegada de mais três unidades nos próximos meses, previstas para substituir os A330 herdados da Alitalia. O plano industrial 2026–2030, aprovado em julho passado, previa até então a entrada de um avião de longo curso por ano — um ritmo que sindicatos consideraram insuficiente para a ambição de expansão.
O objetivo interno é elevar a frota de longo alcance de 25 para 30 aeronaves até 2030, movimento que a própria Ita quantifica em um investimento na ordem de 1,5 bilhão de euros. Paralelamente, a empresa já abriu uma campanha de recrutas: a contratação de cerca de 100 pilotos e 400 tripulantes de cabine faz parte da preparação operacional para suportar as novas rotas e a maior capacidade.
No tabuleiro das alianças e acordos comerciais, a Ita avança em duas frentes estratégicas. Está prevista para o fim de março a entrada na Star Alliance, e a companhia aguarda também a aprovação dos Estados Unidos para integrar a joint venture transatlântica conhecida como “A++” — que reúne Lufthansa, United Airlines e Air Canada. A participação nessa coalizão é central para consolidar feedings e coordenar slots em rotas de alta densidade.
Entre as rotas em estudo figura a ligação Roma Fiumicino–Newark/New York, que pode estrear já em junho, abrindo possibilidades de continuidade dentro dos Estados Unidos com conexões operadas pela United. Para além do ganho comercial imediato, tratar-se-ia de um movimento simbólico: assinala a intenção da companhia nacional de voltar a ocupar espaço direto nas rotas transatlânticas, com implicações geopolíticas e econômicas para hubs italianos.
Internamente, o processo de reestruturação prossegue. Após mudanças iniciais no começo do ano — nas diretorias de network e recursos humanos —, o CEO Eberhart promoveu novas alterações em posições-chave, nomeando Ranietri D’Atri como chefe do departamento jurídico e substituindo o diretor de operações de voo. São ajustes que espelham a tentativa de alinhar governança e operação a uma nova fase de crescimento.
Em um país onde a aviação sempre foi um espelho das transformações nacionais — entre privatizações, heranças administrativas e disputas regionais por conectividade — a estratégia da Ita Airways traduz um dilema conhecido: expandir capacidade diante de limitações industriais e financeiras, preservando ao mesmo tempo o papel público e as expectativas de reconstrução de uma presença aérea internacional. Resta ao conselho de administração ratificar as mudanças no business plan; a julgar pelas movimentações em curso, a companhia tende a apostar em escala e integração para recuperar relevância no mapa das rotas de longo curso.






















