24 de fevereiro de 2026 — Em uma noite que reitera como o futebol moderno é tanto resultado quanto organização, o Inter despediu-se precocemente da Champions ao perder em casa para o Bodo Glimt por 2 a 1, no San Siro. A derrota no jogo de volta dos playoffs confirma um problema estrutural que vai além da instabilidade tática: trata-se de uma leitura institucional sobre como clubes grandes lidam com mudanças de época.
A partida, que poderia servir de redenção, desenhou-se como a confirmação das fragilidades: faltou capacidade de conduzir a partida, de impor ritmo e de traduzir a posse de bola em perigo real. Os noruegueses, compactos e disciplinados, resistiram às investidas e aproveitaram as janelas de oportunidade para decidir o confronto. No fim, não houve remontada no San Siro e o placar foi implacável: 2-1 a favor do Bodo Glimt.
No campo individual, houve poucos pontos positivos. Salvou-se, mais uma vez, o lateral Dimarco, cujo desempenho manteve alguma coerência técnica e posicionamento inteligente ao longo da partida — um dos raros que tentou dar direção ao jogo. Já Thuram ficou aquém do necessário: nota 5 na avaliação coletiva, num reflexo não apenas de produtividade, mas de impacto e presença decisiva dentro da área adversária. Pio Esposito recebeu 5.5, em um duelo físico e de contenção que lhe coube enfrentar, inclusive em disputa direta com a memória de atacantes que marcaram épocas como Vieri.
Mais do que avaliar números ou escalações, é preciso ler esse resultado como um espelho. O Inter sai da Champions não apenas porque um time norueguês foi melhor em 180 minutos, mas porque as respostas institucionais — da formação ao planejamento esportivo — não acompanharam a necessidade de adaptação do clube a um calendário e a competições cada vez mais exigentes. A eliminação expõe lacunas na conexão entre base, elenco e projeto técnico.
Para além da dor imediata da torcida, há repercussões práticas: calendário europeu reduzido, impacto financeiro, e uma necessária reavaliação do processo de construção de elenco. O futebol italiano, por sua história e identidade, exige que essas quedas sejam tomadas como oportunidades de reinvenção institucional. O Inter tem agora o desafio de transformar a frustração em diagnóstico preciso e medidas concretas.
Ao observar o Bodo Glimt, é impossível não reconhecer a eficiência de clubes menores que, com clareza de projeto, conseguem competir contra gigantes. Essa vitória no San Siro é menos uma surpresa tática e mais uma lição sobre prioridades: coesão, disciplina e leitura de jogo terminaram por definir o vencedor.
O calendário segue, o campeonato doméstico chama atenção e a torcida espera respostas. Resta ao clube — e a quem comanda decisões esportivas — entender que a reconstrução passa por consistência e voz única em todas as suas camadas. O esporte, como sempre, devolve ao tempo as respostas que a pressa muitas vezes encobre.
Otávio Marchesini — Repórter de Esportes, Espresso Italia






















