Ian Matteoli busca a glória do snowboard em Milano Cortina 2026
Na noite de sábado, 7 de fevereiro de 2026, a delegação italiana de esportes de neve voltou a colocar os olhos em um jovem que simboliza uma nova geração. Em Livigno, o turinês Ian Matteoli avançou para a final do big air masculino, classificando-se com o segundo melhor placar e ostentando a melhor run da fase qualificatória. Mais do que um resultado isolado, a presença de Ian Matteoli no mata-mata olímpico representa uma trajetória pessoal e coletiva do snowboard italiano em busca de identidade e reconhecimento.
Filho de uma família profundamente ligada às pranchas, Ian Matteoli nasceu em 30 de dezembro de 2005 e cresceu cercado por deslocamentos entre Nova Zelândia, França e Estados Unidos, acompanhando os passos profissionais dos pais. Seu pai, Andrea ‘Matiu’ Matteoli, foi atleta e treinador — com histórico de 17 pódios em Coppa del Mondo e passagens no comando técnico inclusive de nomes como Ross Rebagliati. Esse ambiente multicamadas forjou em Ian não só a técnica, mas também uma visão cosmopolita do esporte; apaixonou-se pela tábua aos dois anos e, paralelamente, consolidou-se também como skateboarder de alto nível.
O percurso competitivo traz marcas de pioneirismo e resiliência. Em dezembro de 2022, Ian Matteoli conquistou o terceiro lugar no big air em Copper Mountain: foi o primeiro italiano a subir ao pódio nessa especialidade na Copa do Mundo. Essa conquista, porém, veio seguida por um imprevisto grave. Em fevereiro de 2023 sofreu a ruptura do baço, com necessidade de intervenção cirúrgica de urgência — um episódio que poderia ter detido sua carreira.
Ao contrário, a lesão serviu de ponto de recomeço. A partir da recuperação, Ian voltou a somar resultados expressivos, com dois segundos lugares na temporada 2024-25. Em março de 2025, disputou o Campeonato Mundial na Engadina e terminou na sétima posição — um resultado honroso que deixou a promessa de melhor desempenho por vir.
Entrar em final olímpica em Milano Cortina 2026 é, para Ian Matteoli e para o movimento italiano do snowboard, uma narrativa de continuidade: de aprendiz global a protagonista em casa. Competir em Livigno, diante de uma plateia que acompanha a retomada das medalhas italianas, adiciona camadas simbólicas ao gesto técnico do atleta. Não se trata apenas de um salto bem executado: trata-se da recomposição de um projeto nacional que tenta transformar talentos individuais em memória coletiva.
Como repórter e analista, observo em Ian uma conjugação rara — herança técnica, experiência internacional precoce e uma capacidade de reação à adversidade que têm tudo para convertê-lo em referência. Na final de hoje, a expectativa é técnica e histórica. O resultado será importante, mas a trajetória já confirma que o snowboard italiano ganha um capítulo novo com este jovem de Turim.
Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia






















