Por Otávio Marchesini — Espresso Italia
Em uma noite que antecipou mais do que um resultado, o Hcb viu interrompida sua série positiva e teve freada sua aproximação ao grupo de elite da liga: no confronto disputado na Hala Tivoli, o Bolzano perdeu por 4-3 nos pênaltis para o Lubiana, depois de um embate decidido apenas na loteria final.
Foi uma partida de contrastes: nos primeiros 40 minutos, a impressão era de um Bolzano bem montado e com controle tático. Contudo, na terceira parte do jogo a equipe acusou cansaço físico e viu os eslovenos crescerem em ritmo e intensidade. O empate, assinado por Schneider a apenas 16 segundos do fim (59:44), valeu um ponto precioso, mas não evitou a derrota por desempate — um resultado com sabor agridoce, diante da necessidade de somar para subir rumo ao Top 3.
O desempenho dos bolzaninos ganhou importância diante das ausências forçadas de Barberio, Bradley e Mantenuto. No entanto, o retorno de Marchetti trouxe alguma estabilidade ao lineup. As primeiras trocas foram marcadas pela prudência, até que um powerplay do Olimpija colocou pressão. Mesmo em inferioridade numérica, o Hcb reagiu com um penalty killing eficiente e, em transição, abriu o placar com o sempre perigoso McClure, que aproveitou velocidade e potência para bater Kolin.
O equilíbrio voltou rápido: Drozg, após uma combinação com Meyer, respondeu com um tiro fulminante para igualar. Em seguida, já sob nova cadência bolzanina, Frigo serviu Gennaro, que finalizou com precisão para recolocar os visitantes na frente. No início do segundo período, Brennan transformou um contra-ataque em gol para o Olimpija, complicando a leitura do jogo. O Hcb teve chances em powerplays, com Gennaro e Pollock testando Kolin, mas a meta eslovena segurou.
No último tempo, a dinâmica mudou: o Lubiana mostrou-se mais vivo e encontrou no lance de Kapel um trançante que se alojou no ângulo, invertendo o marcador. Um disparo de Gregorc ainda acertou o poste, um sinal de que a partida pendia para qualquer lado. Foi a audácia final do Bolzano que rendeu o empate: Schneider, oportunista, tocou o puck nos segundos finais e levou a decisão ao overtime e, após o empate persistir, aos pênaltis — onde os erros de Gazley, Pollock e Gennaro condenaram o conjunto alto‑atesino.
Além do drama vivenciado na capital eslovena, a jornada trouxe também a confirmação de uma vitória importante do Val Pusteria, que soma forças em busca de seus próprios objetivos na tabela. A conquista do Pusteria serve como lembrete da profundidade competitiva da liga e da importância de recursos humanos e físicos na reta final da fase regular.
Faltando apenas duas rodadas para o fim da fase regular, às Volpi basta um ponto para assegurar a quarta colocação — posição que preserva estatuto e ambições para os playoffs. O Salisburgo, terceiro, permanece à vista, a três pontos, mantendo acesa a disputa por degraus superiores. Em termos mais amplos, o encontro em Ljubljana ilustra como o hóquei contemporâneo se constrói entre gestão de plantel, condicionamento e uma leitura de jogo que transcende o evento isolado: cada ponto é um capital simbólico, e cada jogador ausente altera narrativas city‑by‑city.
O resultado, para além do placar, reforça a necessidade de planejamento e profundidade de elenco em clubes que pretendem traduzir tradição em consistência esportiva. A temporada segue com poucos capítulos pela frente; cada partida terá peso político e social para cidades que veem em seus clubes uma extensão de identidade e resistência.
Ficha rápida: Hala Tivoli (Lubiana). Placar final no tempo regulamentar: 3-3. Decisão: Lubiana nos pênaltis (4-3 nos shootouts). Ausências relevantes do Bolzano: Barberio, Bradley, Mantenuto. Retorno: Marchetti. Gols do Bolzano: McClure, Gennaro, Schneider.






















