Por Otávio Marchesini, Espresso Italia.
Perdendo temporariamente o segundo lugar no quadro de medalhas, a delegação italiana busca respostas e novos pódios em um dia de competições que misturou esperança, frustração e gestão física dos atletas. No centro das atenções, o episódio mais dramático veio do biathlon: Tommaso Giacomel sofreu um mal-estar enquanto comandava a mass start de Anterselva e foi obrigado a abandonar a prova.
O relato do próprio atleta, publicado no Instagram, é direto e contido: ‘Fermarsi è devastante, ma oggi non c’era nulla che potessi fare contro il mio corpo. Non è assolutamente la fine dei Giochi che speravo, ma non mi arrenderò mai. Quattro anni volano veloci e ci riproverò in Francia.’ Giacomel acrescentou que, após o segundo polígono deitado, “o meu corpo deixou de funcionar corretamente” — dificuldades respiratórias e incapacidade de movimento que o forçaram a reduzir a velocidade até estacionar, sentar-se ao lado da pista e submeter-se a exames médicos.
Nas imagens e no breve relato, fica clara a combinação de exaustão e sintomas agudos que transformaram uma corrida promissora em um abandono. Para quem observa o esporte como fenômeno social e físico, o episódio confirma algo já conhecido: em competições de elite, a fronteira entre a glória e a fragilidade é estreita. O biatlo, que exige simultaneamente resistência aeróbica e precisão no tiro, expõe o atleta a riscos singulares quando o corpo falha.
Enquanto isso, no gelo e na pista curta, a Itália tentou preservar aspirações. Nos 1500 m (short track), iniciaram-se os quartos de final e o grupo azzurro contava com atletas como Florentia Fontana, na sexta bateria; Andrea Confortola, na quinta; e Gianluca Sighel, na terceira. A presença de Fontana entre as favoritas aos quartos representa uma aposta da equipe técnica em velocidade controlada e leitura tática — elementos decisivos em distâncias intermediárias do short track.
No patinagem de velocidade, a prova dos 1500 m feminina trouxe resultados apertados. Conforme a listagem parcial disponível, a canadense Isabelle Maltais marcou 1’54″403 e figurou no topo da parcial, seguida por rivais com tempos próximos; Francesca Lollobrigida terminou sua bateria em 4º, com 1’56″51 — resultado que a deixa longe do pódio no momento, ainda que o quadro final dependesse das baterias restantes.
O dia também teve competição de esqui acrobático (big air/freestyle), com vitória de Xindi Wang (CHN) por 132.60 pontos, Noe Roth (SUI) em segundo com 131.58, e Tianma Li (CHN) em terceiro com 123.93. Esses resultados ilustram outra dimensão dos Jogos: modalidades emergentes que trazem forte investimento nacional e profundas diferenças na formação técnica entre países.
Em suma: foi um dia de contrates para a Itália. Houve desempenho coletivo e individuais promissores, mas também a lembrança crua da dependência do corpo. As próximas horas exigirão avaliação clínica de Giacomel, ajustes táticos nas provas de pista curta e decisões fríamente calculadas por parte das equipes técnicas que organizam a campanha azzurra em Milano‑Cortina 2026.
Palavras-chave: Tommaso Giacomel, biathlon, mass start, Francesca Lollobrigida, 1500 m, Fontana, Milano‑Cortina 2026.






















