ROMA, 14 de fevereiro de 2026 — Em coletiva de imprensa na véspera do confronto entre Roma e Napoli, o treinador da capital, Gian Piero Gasperini, comentou com leveza e respeito uma observação do Presidente da República, Sergio Mattarella, feita nos Giochi di Milano-Cortina à esquiadora Sofia Goggia.
Perguntado sobre a famosa tirada do Chefe do Estado — “Lo sa perché Gasperini è così bravo? Perché è stato due volte al Palermo” — Gasperini respondeu que Mattarella sempre foi apaixonado por futebol. “Quando eu jogava, ele vinha assistir o Palermo”, disse o técnico, com um sorriso e acrescentando: “Concordo com essa análise”.
A cena, narrada pela imprensa, ganha relevância porque revela um traço menos institucional e mais cultural do próprio Presidente: a capacidade de se reconhecer no esporte como prática social, memória e laço identitário. Não é uma observação apenas trivial — ter o Chefe do Estado comentando o percurso de um treinador lembra que o futebol, na Itália, continua sendo um território simbólico onde se entrelaçam cidade, história e afetos.
Gasperini, cuja carreira como jogador e treinador foi forjada em diferentes realidades regionais, preferiu tratar a lembrança com naturalidade. A declaração sobre Palermo funciona também como um pequeno atestado público de proximidade entre protagonistas do esporte e figuras institucionais. Para um técnico, reconhecer que alguém tão presente no imaginário público aprecia o futebol de perto é gesto de legitimação — uma legitimação mais cultural do que meritocrática.
Do ponto de vista esportivo, a entrevista serviu apenas de introdução ao tema central da coletiva: as opções táticas e o estado físico do elenco antes do clássico contra o Napoli. Ainda assim, o episódio com Mattarella e Sofia Goggia atravessou a pauta e ofereceu um instante de leveza na rotina assertiva de um treinador conhecido por sua franqueza e análise metódica.
Como observador que liga o desporto às suas raízes sociais e políticas, vejo nessa breve interação um sinal do que permanece: estádios e pistas são espaços de representação coletiva, e as palavras de um Presidente sobre um clube de cidade natal reverberam além do comentário. Indicam vínculos, memórias e mensagens destinadas a afirmar que o esporte continua sendo peça-chave na construção da identidade local e nacional.
Ao encerrar a coletiva com um sorriso, Gasperini não apenas corroborou a imagem de um chefe de Estado interessado pelo jogo, mas também reafirmou sua própria posição — a de um técnico cuja história pessoal passa por palcos regionais e que hoje comanda uma das equipes mais observadas do país.
Otávio Marchesini — Espresso Italia. Reportagem baseada em informações da ANSA.






















