Fundo de fim de carreira reafirma transparência após reportagens
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o presidente do Fondo di fine carriera, o advogado Leonardo Grosso, respondeu às matérias de imprensa que colocaram em dúvida a gestão do fundo destinado à tutela econômica dos futebolistas no fim da carreira. Grosso sustenta que a entidade “operou sempre na massima trasparenza“, cumprindo rigorosamente as previsões do seu Statuto e sujeita-se à vigilância de um Collegio sindacale triadico.
Segundo a nota, o balanço do Fundo é, voluntariamente, submetido à revisione legale. Além disso, todos os iscritti podem acessar, de forma autônoma, a piattaforma online gerida pelo Fundo para verificar em tempo real a sua posição e o detalhe das somas acumuladas.
Grosso enfatiza que, sempre que solicitado, o Fundo prestou informações detalhadas sobre os valores devidos, prestando “puntuale riscontro” a cada requisição. A nota acrescenta que os montantes previstos pelo estatuto foram liquidados tempestivamente e que, até o momento, nenhum associado acionou judicialmente a entidade por falta de pagamento.
Do ponto de vista institucional e histórico, a existência de um mecanismo coletivo para garantir o encerramento econômico da carreira de atletas profissionais representa uma resposta a uma fragilidade estruturante do futebol: longevidade reduzida da carreira esportiva e risco de desproteção social. Nesse sentido, a necessidade de transparência e de controles independentes não é apenas formalidade burocrática, mas condição para preservar confiança entre clubes, agentes e os próprios jogadores.
As reportagens que motivaram a retificação pública do presidente expõem, porém, um fenômeno recorrente na arena esportiva contemporânea: a tensão entre a comunicação imediata e a complexidade dos mecanismos de governança. A repercussão midiática exige respostas rápidas; instituições como o Fundo precisam combinar agilidade informativa com procedimentos de compliance e auditoria que, por natureza, são detalhistas e demorados.
Para além do que foi dito pelo presidente, permanecem perguntas legítimas sobre a periodicidade das auditorias, a composição do Collegio sindacale e os critérios de transparência no detalhamento das movimentações financeiras — elementos que, se melhor divulgados, poderiam reduzir espaço para interpretações adversas e para iniciativas que busquem, por vezes, descredibilizar a instituição.
Em suma, a resposta de Grosso reafirma o compromisso formal do Fundo com o seu mandato estatutário e com instrumentos de vigilância. A próxima etapa, do ponto de vista público e do associativismo dos jogadores, passa por transformar declarações em relatórios acessíveis e por fomentar uma cultura de prestação de contas que ultrapasse o mínimo legal. Só assim o mecanismo cumprirá plenamente seu papel social: garantir que a passagem do contrato esportivo para a vida pós-competitiva ocorra com justiça e previsibilidade.
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