Por Otávio Marchesini, Espresso Italia.
Em uma prova que misturou técnica, experiência e significado social, Francesca Lollobrigida garantiu ao País o primeiro ouro nas Olimpíadas de Milão-Cortina 2026. A italiana venceu os 3000 metros da patinação de velocidade com o tempo de 3’54″28, estabelecendo um novo recorde olímpico e escrevendo uma página importante na história esportiva nacional.
Nasceu em 7 de fevereiro de 1991, em Frascati, na província de Roma, e mantém uma vida entre a capital e Baselga di Piné, no Trentino, onde realiza a maior parte de seus treinamentos. Pronipote da atriz Gina Lollobrigida, Francesca carrega uma biografia que cruza memórias familiares e escolhas atléticas: ex-campeã mundial no patinagem em linha com 16 títulos iridis, realizou a transição para o gelo e construiu uma carreira que combina longevidade e constante evolução técnica.
A trajetória recente de Francesca Lollobrigida é marcada por retomadas e por papéis que transcendem o simples rendimento em pista. Mãe de Tommaso, nascido em 2023, ela retornou às competições com objetivo claro: chegar forte em Milão-Cortina 2026. O ouro nos 3000 m é, portanto, também um testemunho sobre a possibilidade de conciliar maternidade e alta performance, um tema que ganha relevância social e simbólica quando interpretado pela lente do esporte moderno.
No currículo, além do pódio olímpico agora máximo, há as medalhas de Pequim 2022 — prata nos 3000 m e bronze na mass start — e o marco de 2025 em Hamar, quando se tornou a primeira italiana a conquistar o ouro mundial nos 5000 m, somando também um bronze na mass start. A esse histórico juntam-se oito medalhas europeias, incluindo o ouro na mass start em 2018, e vários recordes pessoais em distâncias distintas.
O triunfo de Lollobrigida assume múltiplos níveis de leitura. Esportivamente, confirma a maturidade tática de uma patinadora que soube adaptar o currículo do asfalto e das pistas inline às exigências do gelo olímpico. Culturalmente, reafirma o investimento italiano em modalidades de inverno que, historicamente, têm raízes regionais profundas — do Trentino ao Piemonte — e que hoje se projetam em palcos globais. Politicamente, a imagem de uma atleta que volta após a maternidade para conquistar o ouro alimenta debates sobre políticas de apoio às mulheres no esporte e sobre a organização da carreira atlética em países com tradições esportivas amplas, porém desiguais em recursos.
Mais do que uma medalha, a vitória de Francesca Lollobrigida é um símbolo: de resistência, de mudança de ciclos e de como o esporte pode narrar a transformação social. Em Milão-Cortina, a Itália celebra não apenas um pódio, mas a reconstrução de uma narrativa coletiva em torno de atletas que representam regiões, escolhas de vida e aspirações nacionais.






















