Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma prova que mesclou resistência física, precisão e contexto humano, Dorothea Wierer terminou em quinto lugar na prova individual de 15 km do biathlon nos Jogos Olímpicos Milano‑Cortina 2026. Na entrevista à Rai após a prova, a campeã alto‑atesina ofereceu uma leitura sóbria do resultado: “Bisogna essere realisti: poteva andare peggio e un quinto posto, alla mia età, è un risultato tutt’altro che da buttare”, comentou, explicitando a combinação entre ambição e realismo que acompanha atletas com sua trajetória.
Wierer detalhou as razões que influenciaram o rendimento: problemas estomacais e uma queda de rendimento nos esquis a partir do terceiro giro. “Non stavo tanto bene con lo stomaco, sugli sci ho faticato molto dal terzo giro in poi”, contou. Com a delicadeza que o tema exige, ela também mencionou o impacto do período do mês no desempenho: “Noi donne affrontiamo quel periodo del mese che inevitabilmente pesa sulla prestazione”, afirmou, acrescentando que se mantém otimista quanto aos próximos dias.
Mesmo com os desconfortos, a atleta valorizou os aspectos positivos da prova: foi eficaz no tiro e conseguiu manter-se competitiva. “Sono contenta di essere riuscita a fare una buona prova al tiro. Potevo riuscire a trovare lo zero, ma sono comunque contenta del risultato, anche se contano solo le medaglie”, disse, lembrando com franqueza que, em Olimpíadas, o que fica na memória são as medalhas.
Do ponto de vista esportivo e coletivo, Wierer celebrou a diversidade do pódio: demonstrou satisfação pelo bronze da búlgara Loro Hristova, interpretando o feito como promoção do esporte quando nações menores se destacam. Também reconheceu a superioridade momentânea dos franceses: “I francesi sono semplicemente i più forti al momento: stanno vincendo tutto, ma se lo meritano”.
O fator público teve papel de relevo: em Anterselva, Wierer sentiu o calor da torcida local e até o incentivo de técnicos estrangeiros ao longo do trajeto. Esse laço entre atleta e público é, para quem observa o esporte como fenômeno social, um indicador de como a comunidade regional transforma competições em espaços de afirmação identitária.
Nem todas as italianas tiveram dia fácil. Lisa Vittozzi ficou em 37º, cometendo quatro erros no estande de tiro. “Sono un po’ delusa… oggi ho fatto un po’ di fatica al tiro, volevo sicuramente un altro risultato ma devo andare avanti”, avaliou, sublinhando a frustração de quem busca consistência no aspecto técnico do biathlon.
O resultado de Wierer, portanto, deve ser lido em múltiplas camadas: é o desfecho esportivo de uma competição intensa, mas também um sinal da fragilidade e das variáveis humanas que moldam performances de alto nível — alimentação, ciclo fisiológico, público e concentração. Em pistas como as de Milano‑Cortina e Anterselva, a vitória é sempre construída na confluência desses elementos, e o quinto lugar da italiana é, dentro desse contexto, uma performance de resistência e experiência.






















