Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Na noite em que assumiu o banco do Torino, Roberto D’Aversa promoveu mais que uma vitória imediata: reafirmou uma convicção sobre o material humano que encontrou na cidade. No triunfo por 2 a 0 sobre a Lazio, o treinador enfatizou que escolheu o clube exatamente porque acredita ter jogadores de qualidade — e a partida serviu para começar a demonstrar isso em campo.
“Por 70 minutos fizemos uma grande partida”, avaliou o novo técnico, traçando um balanço pragmático e objetivo. A leitura de D’Aversa foi dupla: reconhecer uma etapa inicial de jogo ainda tensa e, ao mesmo tempo, destacar que os fundamentos trabalhados durante a semana apareceram no momento certo. Segundo ele, esses princípios foram assimilados por todos, inclusive pelos que entraram do banco e quiseram fazer a diferença.
Do ponto de vista tático, a aposta no duplo centroavante foi um dos pontos mais comentados. O entrosamento entre Simeone e Zapata ficou claro com os dois gols que definiram o resultado. Simeone elogiou o companheiro colombiano: “Gosto de jogar com o Duvan, ele tira os marcadores de cima de mim e segura muitas bolas”, disse o atacante, reconhecendo também a qualidade de Adams como peça importante no esquema ofensivo.
Entre as observações de D’Aversa estiveram elogios individuais: Zapata foi apontado como jogador que mostrou seu verdadeiro valor, enquanto Vlasic apresentou todo o seu potencial e contribuiu de forma decisiva para a dinâmica ofensiva. O jovem Gineitis foi substituído para evitar risco de suspensão após receber uma advertência, decisão que ilustra a prudência do treinador em proteger ativos importantes para o calendário que se avizinha.
Mais do que um resultado isolado, a vitória em Turim tem contornos simbólicos. Num clube marcado por tradições regionais e por uma torcida que valoriza identidade e entrega, a confirmação de que o elenco responde a princípios claros e a uma direção técnica coesa é uma informação tão valiosa quanto os três pontos somados.
Há também aspectos culturais na celebração: a comemoração de Simeone foi um gesto de afeto à música popular italiana. Ele declarou ter torcido para o cantor Sal Da Vinci no Festival de Sanremo e manifestou desejo de conhecê-lo, lembrando que a música e o futebol frequentemente se cruzam na construção de identidades locais — uma observação que se encaixa na leitura sociocultural que o esporte proporciona.
Ao encerrar a primeira partida, D’Aversa deixou um recado claro: aceitou o desafio no Torino porque acredita na qualidade do elenco e na possibilidade de recuperar o valor pleno dos jogadores. A próxima etapa será transformar esses sinais iniciais em consistência, algo que o clube, a cidade e a própria trajetória do técnico aguardam com atenção.






















