Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
No circuito olímpico de Milano Cortina, a Itália voltou ao pódio do snowboard com a confirmação do bronze de Lucia Dalmasso no gigante paralelo feminino. Numa disputa decidida em formato de eliminatórias diretas, Dalmasso superou a compatriota Elisa Caffon no duelo pelo terceiro lugar, assegurando uma medalha que tem significado esportivo e simbólico para o país.
O percurso da italiana até o bronze incluiu uma derrota na semifinal para a austríaca Helge Payer, enquanto Caffon foi eliminada na outra chave pela tcheca Zuzana Maderova. No confronto pelo bronze, porém, Dalmasso impôs-se com frieza e técnica, aproveitando a experiência acumulada em circuitos internacionais e convertendo a oportunidade em resultado concreto para a delegação italiana.
Além do resultado isolado, a medalha de Lucia Dalmasso apresenta leituras que ultrapassam o pódio: é reflexo de investimentos crescentes em modalidades de neve que, nas últimas décadas, saíram do perímetro histórico do esqui alpino para incorporar tendências técnicas, culturalmente jovens e menos previsíveis, como o snowboard. Para a Itália, que guarda tradições fortes em esportes invernais, essa conquista reafirma a capacidade de renovação e de formar atletas capazes de disputar em diferentes prisões de velocidade e estratégia.
Do ponto de vista esportivo, o gigante paralelo é prova de contraste entre precisão e combatividade. A natureza do confronto direto — onde frações de segundo definem caminhos — evidencia a margem estreita entre vitória e eliminação. Ao longo da tarde em Milano Cortina, vimos nomes como Helge Payer e Zuzana Maderova oferecerem resistência técnica; ainda assim, foi a consistência italiana que garantiu o bronze.
Em termos sociais, o pódio de Dalmasso funciona como narrativa de identidade: um esporte que reúne jovens, estética e tecnicidade volta a produzir símbolos relevantes para uma plateia que busca identificação além do resultado puramente competitivo. Estádios de inverno e pistas de competição tornam-se, assim, pequenas arenas de memória coletiva, onde resultados carregam ecos de políticas de base, de investimentos em infraestrutura e daquilo que os clubes e federações conseguem projetar como futuro.
Para quem acompanha a evolução do snowboard italiano, a medalha tem valor prático — impulso para patrocinadores, para projetos de formação e para ampliar a visibilidade de atletas que, como Dalmasso e Caffon, representam a nova geração. Resta ao país consolidar esse momento, transformando o bronze de hoje em plataforma para metas maiores nas próximas temporadas e competições mundiais.
Em resumo, a conquista de Lucia Dalmasso em Milano Cortina é mais do que um pódio: é um indicativo de saúde institucional e de capacidade de renovação técnica num cenário onde o snowboard continua a reescrever posições e significados no esporte de inverno europeu.
Foto: atleta italiana no pódio durante as cerimônias em Milano Cortina.





















