O Bologna respirou aliviado em Turim. Em uma partida que teve contornos de redenção coletiva, os rossoblù superaram o Torino por 2 a 1 e voltaram à oitava posição, retomando ânimo e confiança para a sequência, em especial para o confronto de quinta-feira pela Europa League.
A vitória, conquistada na segunda etapa, teve roteiro conhecido: um primeiro tempo de total domínio territorial do Bologna, sem o gol; e uma etapa final de nervos e detalhes, na qual os lances decisivos definiram o placar. Depois do lançamento inicial que resultou no autogolo de Maripán, o Torino reagiu com o empate de Vlasic. A solução veio no fim, com um gol de autoridade de Castro, o sétimo dele no campeonato, que fechou a contagem e devolveu ao time a paz necessária para encarar os próximos compromissos.
O treinador Italiano promoveu cinco alterações na formação titular, incluindo as entradas de Sohm e João Mário, contratados em janeiro, e a reorganização das alas com Bernardeschi e Rowe. A leitura tática foi clara: manter a posse sem forçar ritmos suicidas, buscar avanços pelas pontas e sustentar uma linha defensiva alta o suficiente para sufocar as tentativas granata. No primeiro tempo, essa proposta se traduziu em controle do jogo e poucas oportunidades para o adversário, com o goleiro Skorupski praticamente inativo nos 45 minutos iniciais.
O Torino, por sua vez, teve dificuldade para atravessar a muralha rossoblù. A tentativa de partidas rápidas e trocas verticais não funcionou, e a equipe de Baroni esbarrou repetidamente na organização defensiva bolognese. A entrada de Zapata somente veio no segundo tempo, num esforço para mudar a dinâmica ofensiva do Toro.
O gol que abriu a contagem saiu aos quatro minutos da segunda etapa: após cruzamento de Rowe, Maripán desviou involuntariamente para as redes — um alívio momentâneo que, contudo, não selou o destino do jogo. O Torino conseguiu empatar com Vlasic, reacendendo a tensão no estádio. Nos momentos decisivos, o confronto teve defesas importantes, como a intervenção de Paleari em finalização de Sohm, mas a justiça do placar ficou por conta do chute clínico de Castro, que resolveu para o Bologna nos minutos finais.
Mais do que três pontos, a equipe ganhou um respiro psicológico: interrompeu a série negativa que vinha corroendo confiança após derrotas consecutivas e a eliminação na Copa da Itália. O resultado devolve ao clube não só posições na tabela, mas também uma narrativa de resiliência necessária para a travessia de fevereiro, mês que mistura calendário europeu e desafios domésticos.
Do ponto de vista mais amplo, este triunfo ilustra como o futebol contemporâneo segue dependente de estabilidade institucional e escolhas de curto prazo do corpo técnico. As alterações de Italiano foram calibradas para recuperar controle emocional e tático, e surtiram efeito. Agora, com a cabeça parcialmente liberada para a Europa League, o Bologna encara a sequência com uma urgência diferente: manter o equilíbrio entre ambição continental e solidez no campeonato.
Em Turim, o estádio pode ter ido embora mais silencioso do que se esperava, mas para os rossoblù ficou um sinal claro: havia combustível para seguir em frente.






















