Bologna confirmou a classificação para as oitavas de final da Europa League apesar de uma atuação irregular no jogo de volta contra o Brann. Depois da vitória por 1-0 na Noruega, a equipe de Vincenzo Italiano repetiu o placar em Bolonha — vitória construída na etapa final por um gol do ex-juventino João Mário — e fechou a eliminatória com um agregado de 2 a 0.
O resultado, em tese simples, não traduzu a dificuldade real que o clube rossoblù encontrou em campo. O primeiro tempo foi frágil, com o Brann impondo mais intensidade e criando situações de risco que exigiram defesas decisivas do goleiro Skorupski. Um dos lances mais inquietantes da etapa inicial foi a intervenção do polonês, que manteve a vantagem trazida da Noruega quando o adversário pressionava com constância.
Aos 38 minutos, a partida ganhou um ponto de inflexão disciplinar: Sorensen, do Brann, recebeu cartão vermelho direto por uma entrada com os pés altos na coxa de Freuler. Apesar da redução numérica do rival, o padrão do jogo não mudou imediatamente — os noruegueses continuaram perigosos e chegaram a ameaçar novamente com Thorsteinsson.
No intervalo, a leitura tática de Italiano e a reorganização coletiva do Bologna foram decisivas. A equipe entrou com maior controle dos espaços e maior precisão nas transições. Aos 56 minutos, na sequência de um cruzamento de Rowe, houve um desvio de Boakye que produziu uma defesa curta do goleiro do Brann: no rebote, João Mário finalizou com o pé direito e marcou o gol que desfez as dúvidas e tranquilizou a torcida.
O tento tem um valor que transcende o número: confirmou a capacidade do Bologna de superar momentos de fragilidade e encontrar soluções em jogadores com experiência europeia. O episódio também evita mais um revés que, historicamente, tem se repetido em confrontos entre clubes italianos e nórdicos — um tropeço que, em perspectiva, viria acompanhado de debates sobre preparação física e mental nas partidas de menor previsibilidade.
Com a classificação assegurada, a próxima etapa é conhecida apenas pelo sorteio: amanhã, às 13h em Nyon, o Bologna descobrirá se enfrentará o Friburgo — adversário já cruzado na fase de grupos — ou se será um duelo nacional contra a Roma. A hipótese de reencontro com o Friburgo recupera uma narrativa de ajustes táticos já iniciada na fase de grupos; um confronto com a Roma colocaria em cena rivalidades regionais e logísticas que costumam influenciar calendário e imagem de clubes em competições europeias.
Do ponto de vista institucional e cultural, a campanha do Bologna na Europa League revela a ambição de um clube que busca reenquadrar sua identidade: não apenas sobreviver ao calendário continental, mas usar essas partidas como laboratório para estratégias de longo prazo — formação, mercado e construção de elenco. A vitória em si, embora por placar mínimo, é síntese desse esforço e um lembrete de que, muitas vezes, nas copas europeias, a resistência e a gestão das partidas têm tanto peso quanto o brilho das individualidades.
Data da partida: 26 de fevereiro de 2026. Próximo compromisso: sorteio das oitavas em Nyon, 27 de fevereiro, às 13h.






















