Em 10 de fevereiro de 2026, a presença italiana nos Jogos de Milano-Cortina volta a ser protagonismo e espelho: o calendário dos azzurri distribui responsabilidades técnicas e simbólicas entre Tesero, Cortina d’Ampezzo, Milão e Anterselva. Mais do que um conjunto de provas, trata-se de um mapa de identidades regionais e trajetórias individuais que, juntas, compõem a narrativa esportiva da Itália neste inverno olímpico.
O dia abre cedo no vale do Tesero, onde o esqui de fundo (sprint em técnica clássica) coloca em pista a geração feminina e, logo depois, a masculina. Às 09:15, Federica Cassol, Iris De Martin Pinter, Caterina Ganz e Nicole Monsorno disputarão as qualificações da prova curta. Às 09:55, a mesma pista terá Elia Barp, Simone Daprà, Simone Mocellini e o veterano Federico Pellegrino — este último carregando mais do que a experiência técnica: carrega expectativas coletivas por um pódio que reverberaria para além do gesto atlético.
As finais do esqui de fundo estão programadas entre as 13:13 e as 13:35, um intervalo de poucas horas que obriga atletas e equipes a manejarem estrategicamente recuperação e aquecimento — condições onde infraestrutura, equipe técnica e habitus de competição fazem a diferença.
No complexo alpino de Cortina, o programa evidencia a tradição feminina no esqui alpino: a combinada por equipes inicia sua fase de velocidade às 10:30 com Sofia Goggia, Laura Pirovano e as irmãs Nicol e Nadia Delago. A manche de slalom, prevista para as 14:00, reunirá as especialistas de técnica Lara Della Mea, Martina Peterlini, Anna Trocker e Giada D’Antonio. Essa alternância entre velocidade e técnica, em batalhas coletivas, é sintomática de uma Itália que aposta tanto em talentos de base quanto em estrategistas experientes.
No mesmo anfiteatro cortinês, às 14:05, o par de curlinistas Stefania Constantini e Amos Mosaner enfrenta a Grã-Bretanha na disputa pelo terceiro lugar do duplo misto. O curling italiano atravessou a última década como projeto de consolidação: partidas como essa medem progresso técnico e a capacidade do país de competir nos esportes de precisão sob pressão.
Em Milão, o gelo do Palazzetto recebe o short track. A partir das 10:30, Arianna Fontana, Chiara Betti e Arianna Sighel disputarão as qualificações dos 500 metros, uma prova em que reflexos, leitura de pista e coragem tática definem destinos em frações de segundo. Às 11:10, os 1000 metros masculinos terão Pietro Sighel, Luca Spechenhauser e Thomas Nadalini na busca de passagem às fases decisivas. A partir das 11:59, a estafeta mista entrará nas finais, com a Itália tentando traduzir consistência individual em desempenho coletivo.
Em Anterselva, foco no biatlo: às 13:30, a 20 km individual reúne Tommaso Giacomel e Lukas Hofer em uma prova que, mais do que física, exige domínio emocional diante da combinação tiro–esqui. O resultado aí é índice de formação e gestão da tensão em campo.
O programa do dia ainda engloba outras modalidades, algumas das quais carregam leituras culturais próprias. Às 14:15, as qualificações de freestyle — moguls terão Manuela Passaretta representando a Itália; às 16:40, o hóquei no gelo feminino mede Itália e Alemanha, num confronto de fôlego e estrutura federativa; às 17:00 e 18:34, as últimas duas mangas do luge feminino decidem posições que pesam no histórico individual; às 18:30, o patinação artística masculina apresenta o programa curto com Daniel Grassl e Matteo Rizzo; e, por fim, às 18:45, Predazzo recebe o salto com esqui por equipes mistas, prova que sintetiza cooperação técnica entre saltadores de diferentes gerações.
Horário por horário, a programação italiana para 10 de fevereiro de 2026:
- 09:15 – Esqui de fundo: Sprint TC Qualificações (F)
- 09:55 – Esqui de fundo: Sprint TC Qualificações (M)
- 10:30 – Esqui alpino: Combinada por equipes – Descenso (F)
- 10:30 – Short track: 500 m Qualificações (F)
- 11:10 – Short track: 1000 m Qualificações (M)
- 11:59 – Short track: Estafeta mista (Finais às 13:03)
- 13:13 – Esqui de fundo: Sprint TC Finais (F e M)
- 13:30 – Biatlo: 20 km individual (M)
- 14:00 – Esqui alpino: Combinada por equipes – Slalom (F)
- 14:05 – Curling: Final 3º lugar Dupla mista (Itália–Grã-Bretanha)
- 14:15 – Freestyle: Moguls Qualificações (F)
- 16:40 – Hóquei no gelo: Itália–Alemanha (F)
- 17:00 – Luge: Singolo Heat 3 (F)
- 18:34 – Luge: Singolo Heat 4 (F)
- 18:30 – Patinação artística: Programa curto (M)
- 18:45 – Salto com esqui: Equipe mista
Mais do que horários e nomes, o dia serve como leitura do estado do esporte italiano: há a presença consolidada de atletas com trajetória — como Federico Pellegrino no esqui de fundo e Sofia Goggia no alpino — e há nomes em ascensão que carregam a renovação do calendário nacional. Isso confirma uma característica estrutural do desporto italiano: o convívio constante entre tradição e renovação, que se manifesta em centros de formação locais e em políticas de federações que tentam equilibrar resultados imediatos com sustentabilidade de longo prazo.
A tensão olímpica também expõe desigualdades e fortalezas territoriais. Enquanto Cortina e Predazzo simbolizam a cultura alpina e o investimento histórico em pistas técnicas, Tesero e Anterselva são exemplos de polos de desenvolvimento mais voltados para resistência e precisão (biatlo e esqui nórdico). Milão, por sua vez, representa o esforço de urbanização do espetáculo no gelo, buscando mediação entre plateia, mídia e performance.
Do ponto de vista tático, provas como a combinada por equipes (alpino) e a estafeta mista (short track) revelam mais sobre coesão do que sobre talento isolado: saber administrar ordens, optimizar trocas e montar estratégias de pista são habilidades que dependem de trabalho coletivo e planejamento institucional. Já eventos individuais, como o biatlo de 20 km ou os sprints de esqui de fundo, escancaram as contingências do dia — condições de neve, vento, estado de forma e, sobretudo, a capacidade do atleta de traduzir preparação em execução sob pressão.
Para o público italiano, cada prova é também um ritual de afirmação regional e de memória: as vitórias reverberam nas comunidades locais e alimentam narrativas de cidades e vales que historicamente se reconhecem no esqui e nas modalidades de inverno. A cobertura jornalística tem, portanto, o papel de traduzir essas experiências e de contextualizar resultados dentro de processos sociais mais amplos — do financiamento das federações às políticas de formação de base.
Em suma, 10 de fevereiro não é apenas um dia de competição; é um compêndio de histórias sobre persistência, investimento e identidade. À medida que as provas se sucederem, será possível avaliar não apenas medalhas, mas o grau de funcionamento de uma máquina esportiva que tenta conciliar passado e futuro. E é nesse equilíbrio — entre técnica e memória, entre ambição e recursos — que se mede, de fato, o valor das performances dos azzurri em Milano-Cortina.
Veja acima a programação completa e acompanhe conosco as análises posteriores sobre desempenho, implicações institucionais e a relação entre esporte e comunidade na Itália contemporânea.






















