Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes da Espresso Italia.
Na sexta-feira, 13 de fevereiro, a presença dos azzurri nas pistas e arenas de inverno concentra atenção e expectativas em provas que carregam memória e estratégia: do tiro do biathlon à velocidade do pattinaggio, do impulso do snowboardcross às descidas decisivas do skeleton. É um dia em que a dimensão simbólica do esporte italiano se encontra com competições que podem reescrever trajetórias individuais e coletivas.
O foco começa sobre o sprint masculino de biathlon, onde o jovem Tommaso Giacomel aparece como nome a observar. Para além do resultado imediato, a sua prova diz respeito a um sistema de formação e a uma continuidade na escola do biathlon nacional que tenta afirmar-se frente a potências históricas. Ao mesmo tempo, o retorno de veteranos, como Lukas Hofer, e a presença de atletas emergentes construírem um quadro que mescla experiência e renovação.
No snowboardcross, Livigno volta a receber atenções com a presença de Michela Moioli, campeã olímpica há oito anos. A sua história é emblemática: converteu uma vitória em palco internacional num símbolo de resiliência para o snowboard italiano. A prova feminina em duas qualificatórias e fases eliminatórias tende a ser explosiva — curto, intenso e sujeito a surpresas, onde a tática de corrida e a leitura do traçado fazem diferença.
O pattinaggio di velocità em Milano oferece uma das provas de resistência do programa: os 10.000 metros masculinos, com nomes como Davide Ghiotto e Riccardo Lorello, este último medalhista de bronze nos 5.000 m. Ghiotto, com experiência em grandes maratonas de patinação, representa uma tradição italiana de velocidade e enduro, enquanto Lorello simboliza a capacidade de aproveitar janelas de oportunidade em provas de longa duração.
Em Cortina d’Ampezzo, o skeleton vive as últimas mangas decisivas. As mulheres, com Alessandra Fumagalli e Valentina Margaglio, e os homens, com Amedeo Bagnis e Mattia Gaspari, disputam não apenas posições no ranking, mas a afirmação de uma modalidade que, apesar de menos massiva em público, acumula tradição técnica e exigência de infraestrutura. As descidas finais têm um peso simbólico — consolidam percursos individuais e lembram o investimento regional em pistas e formação.
E, por fim, o hockey su ghiaccio feminino: as Azzurre voltaram a conquistar corações ao avançarem e enfrentarão a superpotência Estados Unidos em partida de quartas de final em Milano. Esse encontro ultrapassa a competição pontual; é encontro entre modelos esportivos, entre uma nação que se profissionalizou intensamente e outra que vive a modalidade como cultura esportiva bem enraizada. Para os torcedores italianos, a partida é chance de medir evolução e ambição.
Aí vai a programação hora a hora, para consulta e organização de quem acompanha as provas:
- 09:05 — Curling, Itália x Grã-Bretanha (fase a gironi; Sebastiano Arman, Mattia Giovanella, Amos Mosaner, Alberto Pimpini, Joel Thierry Retornaz — em Cortina d’Ampezzo)
- 10:00 — Snowboard, snowboardcross mulheres (qualifiche run 1 e 2: Lisa Francesia Boirai, Sofia Groblechner, Michela Moioli — em Livigno)
- 11:45 — Sci di fondo, 10 km técnica libera uomini (Martino Carollo, Simone Daprà, Davide Graz, Simone Mocellini — em Lago di Tesero)
- 12:10 — Hockey su ghiaccio masculino, Itália x Eslováquia (fase a gironi — em Milano)
- 13:30 — Snowboard, snowboardcross mulheres (continuação — em Livigno)
- 14:00 — Biathlon, sprint uomini (Tommaso Giacomel, Lukas Hofer, Nicola Romanin, Elia Zeni — em Anterselva)
- 14:03 — Snowboard, snowboardcross mulheres (quarti di finale — em Livigno)
- 14:24 — Snowboard, snowboardcross mulheres (semifinais — em Livigno)
- 14:41 — Snowboard, snowboardcross mulheres (finali — em Livigno)
- 16:00 — Skeleton, individuale donne (1ª manche — Alessandra Fumagalli, Valentina Margaglio — em Cortina d’Ampezzo)
- 16:00 — Pattinaggio velocità, 10.000 metri uomini (Davide Ghiotto, Riccardo Lorello — em Milano)
- 17:48 — Skeleton, individuale donne (2ª manche — Alessandra Fumagalli, Valentina Margaglio — em Cortina d’Ampezzo)
- 19:00 — Pattinaggio figura, libero uomini (Daniel Grassl, Matteo Rizzo — em Milano)
- 19:05 — Curling, Itália x Alemanha (fase a gironi; Sebastiano Arman, Mattia Giovanella, Amos Mosaner, Alberto Pimpini, Joel Thierry Retornaz — em Cortina d’Ampezzo)
- 19:30 — Skeleton, individuale uomini (3ª manche — Amedeo Bagnis, Mattia Gaspari — em Cortina d’Ampezzo)
- 21:05 — Skeleton, individuale uomini (4ª manche — Amedeo Bagnis, Mattia Gaspari — em Cortina d’Ampezzo)
- 21:10 — Hockey su ghiaccio donne, Itália x Estados Unidos (quartas di finale — em Milano)
Do ponto de vista jornalístico e analítico, não é mera coincidência que eventos com perfis distintos — endurance, técnica, velocidade, impacto táctico — se agrupem num único dia. A multiplicidade de disciplinas evidencia a capacidade organizativa das sedes e revela a diversidade esportiva italiana: centros alpinos e urbanos, pistas de velocidade e corredores de gelo. Cada localidade oferece um palco diferente para narrativas que ultrapassam medalhas: formação regional, investimento em infraestrutura, identidade comunitária.
Para o leitor que acompanha com atenção: observe o que cada prova pode dizer sobre o futuro das modalidades italianas. Os resultados de Tommaso Giacomel e de nomes no biathlon falarão sobre a profundidade do elenco; o desempenho de Michela Moioli será uma leitura tanto esportiva quanto simbólica; as descidas de Amedeo Bagnis e Mattia Gaspari no skeleton vão medir a competitividade técnica construída nos últimos anos; a partida entre as Azzurre e os Estados Unidos permitirá avaliar o salto qualitativo do hóquei feminino italiano.
Em suma, sexta-feira, 13 de fevereiro, apresenta-se como uma página significativa do ciclo competitivo: um dia para acompanhar com calma analítica, para perceber padrões e para medir o valor dos investimentos que, frequentemente, só se traduzem em resultado desportivo após temporadas de trabalho.
Agenda e cobertura contínua em Espresso Italia: prepararemos atualizações e análises após cada bloco de provas, para situar resultados no contexto histórico e nas trajetórias pessoais dos atletas.




















