Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia.
O dia de quinta-feira nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 ofereceu um cruzamento interessante entre provas de resistência e confrontos de velocidade pura, com atenção dividida entre as encostas das Tofane e os centros urbanos de Milano. A programação do dia é, em si, um retrato das prioridades esportivas e simbólicas deste evento: tradição alpina, investimento em infra‑estrutura e a centralidade de atletas que já fazem parte da memória coletiva italiana.
Pela manhã, às 09:05, o curling feminino abriu a sessão em Cortina d’Ampezzo com a seleção italiana, liderada por Stefania Constantini, contra a Suíça. Simultaneamente, no Cortina Sliding Centre, Amedeo Bagnis e Mattia Gaspari realizaram as duas primeiras descidas do skeleton individual masculino, buscando se posicionar entre os favoritos para a disputa de pódio.
Em Livigno, a partir das 10:00, o cronograma trouxe o snowboardcross masculino. Atletas como Omar Visintin, Lorenzo Sommariva e Filippo Ferrari assumem papel central em uma prova que, por sua natureza caótica e imprevisível, pode alterar rapidamente o quadro de medalhas.
O momento mais simbólico do dia acontece às 11:30 nas Tofane: o supergigante feminino. A presença do Presidente da República, Sergio Mattarella, confere dimensão institucional ao evento. A Itália lança um quarteto de alto nível — Federica Brignone, Sofia Goggia, Elena Curtoni e Laura Pirovano — que não apenas competem por posições, mas representam diferentes trajetórias da escola alpina italiana, desde a formação regional até os palcos internacionais.
Às 13:00, no Lago di Tesero, a 10 km de esqui de fundo em técnica livre coloca em prova a resistência tática das atletas: Anna Comarella e Martina Di Centa lideram a comitiva italiana numa espécie de exame de fundo e paciência, característica das provas de longa duração.
De volta a Milano, às 16:30, o Ice Park terá Francesca Lollobrigida nos 5000 metros. Vinda do ouro nos 3000m, Lollobrigida tenta a dupla histórica — um resultado que reforçaria seu lugar na galeria das grandes do patinagem de velocidade nacional.
A noite se inicia com a prova por equipes do trenó (18:30) e com o segundo encontro do curling, agora contra a Coreia do Sul (19:05). Em seguida, a programação reserva o calor competitivo do short track na Milano Ice Skating Arena. A partir das 20:15 começam os quartos de final dos 500 m feminino, com Arianna Fontana — a atleta mais medalhada da história olímpica italiana — e Chiara Betti. No masculino, Pietro Sighel lidera a seleção nos 1000 m. As finais por medalhas estão previstas entre as 21:30 e as 22:00, encerrando um dia que pode ser decisivo para o posicionamento da Itália no quadro geral.
Programação resumida (hora local):
- 09:05 — Curling, Itália x Suíça (fase de grupos; Stefania Constantini e equipe) — Cortina d’Ampezzo
- 09:30 — Skeleton masculino, 1ª e 2ª descidas (Amedeo Bagnis, Mattia Gaspari) — Cortina Sliding Centre
- 10:00 — Snowboardcross masculino (Omar Visintin, Lorenzo Sommariva, Filippo Ferrari) — Livigno
- 11:30 — Supergigante feminino (Federica Brignone, Sofia Goggia, Elena Curtoni, Laura Pirovano) — Tofane, Cortina d’Ampezzo
- 13:00 — 10 km esqui de fundo (técnica livre) — Lago di Tesero (Anna Comarella, Martina Di Centa)
- 16:30 — 5000 m patinação de velocidade (Francesca Lollobrigida) — Milano Ice Park
- 18:30 — Prova por equipes de slittino — Milano
- 19:05 — Curling, Itália x Coreia do Sul — Milano
- 20:15 — Short track: quartos de final 500 m feminino (Arianna Fontana, Chiara Betti) e 1000 m masculino (Pietro Sighel) — Milano Ice Skating Arena; finais entre 21:30 e 22:00
Mais do que um dia de competições, esta sequência revela como o esporte olímpico italiano combina identidade regional — especialmente nas provas alpinas — com a ambição de consolidar uma narrativa nacional de excelência. Observar os resultados é, também, observar as escolhas institucionais e culturais que moldam o presente esportivo da Itália.






















